Eucler Alcântara Ferreira dedicou 80 alqueires da  propriedade para o trigo e mesmo acreditando numa pequena recuperação, já calcula perda 30%
Eucler Alcântara Ferreira dedicou 80 alqueires da propriedade para o trigo e mesmo acreditando numa pequena recuperação, já calcula perda 30% | Foto: Ricardo Chicarelli



Apesar das lavouras de trigo estarem em plena fase de desenvolvimento e a chuva dessa última semana ter sido importante para os bons resultados da cultura, perdas já estão consolidadas em algumas propriedades, mesmo que a colheita mais volumosa esteja agendada apenas para setembro. Em conversa com a reportagem da FOLHA, produtores da região de Tamarana - local mais alto e propício para a cultura - estimam um quebra que varia entre 15% a 30% no volume. De acordo com o Deral, no levantamento do final de julho, 50% do cereal estava em fase de desenvolvimento vegetativo, 36% floração e 14% frutificação.

Eucler Alcântara Ferreira trabalha numa área de 400 alqueires na cidade. Ele plantou em torno de 80 alqueires de trigo e 320 alqueires de aveia, planta de cobertura que posteriormente vende como ração animal. Ele relata que plantou o trigo em meados de maio, quando aconteceu uma chuva, mas depois não veio mais nenhum gota até a última semana. "Essa falta de chuva prejudicou sim, e olha que Tamarana ainda está melhor que outras localidades, porque aqui tem um clima um pouco diferente. De qualquer forma, acredito que será uma quebra de pelo menos 30%", projeta.

Na safra passada, o produtor fechou a safra de trigo - numa área similar a atual - com produtividade de 160 sacas por alqueire. Ele sabe que não chegará nesses números, mas pelo menos a chuva desta semana ajuda a atenuar a quebra que vinha até aqui. "(Sem a chuva), a quebra estava aumentando dia a dia. Pelo menos essa chuva deu um alento e vai ajudar na granação do que sobrou". No ano passado, o produtor comercializou a saca a R$ 32. "Para este ano, ainda é difícil saber como os valores vão ficar". Em relação à aveia, ele também acredita que haja quebra de produtividade, fechando torno de 2.800 quilos por alqueire. "Acho que (a perda) pode ser até maior comparado ao trigo", compara.

Sérgio Komura trabalha numa área de 360 alqueires, também em Tamarana. Ele plantou o trigo em abril, mês que estava seco, mas que ganhou um alento com a chuva de maio. "A lavoura não está das melhores, pegou períodos longos de estiagem, tanto no início do plantio como agora no enchimento de grãos".

Na safra passada, como aconteceu com seu colega de profissão, Komura também colheu 160 sacas por alqueire. Agora, também projeta quebra, mas em torno de 15%. "Minha expectativa é que a colheita seja de 15 de setembro pra frente. A chuva (que aconteceu agora) pelo menos vai manter o que está salvo", relata o produtor, que diz quem em 50% da sua área o trigo está com menor porte e mais amarelado. "A doença que gerou mais custos nessa safra foi o oídio, causada por fungos no ambiente mais seco. Acabei fazendo duas aplicações de fungicidas para controle."

Em relação aos custos de produção, Komura relata que o valor do custo fixo girou em torno de R$ 4.200 a R$ 4.500 por alqueire. Ele relembra que no ano passado fechou, em contratos antecipados, o valor da saca a R$ 37 e espera - devido à quebra - melhores valores de negociação. "Para quem colher o produto, eu acho que a safra pode ser até mais positiva em termos de faturamento em relação ao ano passado", relatou.

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