Família Bassi trabalha com três produtos: cachaça prata, ouro e armazenada em bálsamo
Família Bassi trabalha com três produtos: cachaça prata, ouro e armazenada em bálsamo | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Na propriedade rural de 1,25 alqueire localizada em Santa Mariana, região Norte do Paraná, uma cachaça premiada internacionalmente tem sua história ligada diretamente à Geada Negra, que dizimou as lavouras de café do Estado em meados da década de 1970. Até então, o produtor paranaense de café, Paulo Bassi, só tinha contato com a cachaça graças ao cunhado, que produzia no interior de São Paulo.

Quando ia até lá visitar a irmã, o cunhado incentivava a produção na propriedade dos Bassi, em Santa Mariana, algo que se tornou realidade quando a crise do café se instaurou. Com o investimento no alambique e toda a expertise, a cachaça artesanal feita em Santa Mariana pelo produtor começou a ficar famosa na região, mas com as vendas sempre controladas. Bassi não pretendia expandir os negócios. Era como se guardasse um tesouro para a região que vivia.

Entretanto, em 2010, com o falecimento do produtor, os filhos quiseram manter o legado de uma cachaça especial, mas de uma forma mais comercial. Agora, a cachaça Bassi - com marca registrada, envase e um processo meticuloso para manter as tradições - já está nas mãos da terceira geração da família: a engenheira agrônoma e mestre cachaceira, Viviane Bassi - neta de Paulo - e seu marido, Evandro Eto.

Eto explica que atualmente são dois hectares (0,83 alqueire) destinados à produção de cana-de-açúcar, o que gera uma capacidade de produção de 15 a 20 mil litros de cachaça por ano, com comercialização por diversas cidades do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e também na propriedade. “Como a propriedade fica na beira da rodovia, continuamos a vender aqui, como o Sr. Paulo fazia. Ele tinha a regularização do alambique, mas apenas para a produção e venda no local. Entre 2011 e 2012 iniciou o processo de andamento do registro da marca e de envase.”

PRATA E OURO

O casal trabalha com três produtos: cachaça prata, ouro e armazenada em bálsamo. A prata é produzida e depois armazenada para descanso em tonéis de amendoim pelo período mínimo de seis meses. O amendoim é considerado uma madeira neutra, o que significa que não lhe confere alteração em aroma e sabor. A ouro também descansa nos tonéis de amendoim, mas depois é envelhecida por mais um ano em barris de carvalho europeu. O descanso no amendoim reduz a acidez e o carvalho acrescenta aromas amadeirados. Já a cachaça armazenada em tonéis de madeira de bálsamo (ou cabreúva) gera um aroma de azeitona preta e sabor levemente de anis estrelado. No último caso, o tonel de armazenamento foi construído em 1929 na propriedade.

Mesmo com todo conhecimento e um produto de qualidade, o maior desafio para o casal continua sendo a comercialização. Isso porque a cachaça de outros estados chega aqui mais competitiva, já que o governo estadual não flexibiliza os tributos. “Em outros estados, como Minas Gerais, o produto chega mais barato do que eu vendendo para o lojista. Assim, não consigo concorrer diretamente dentro do meu próprio Estado.”

Mesmo assim, a cachaça Bassi tem todo potencial para atingir outros mercados pelo mundo. Algo que o casal tem trabalhado, visitando feiras, participando de concursos mundiais (o produto já foi premiado em Bruxelas e Belo Horizonte) e procurando parceiros. “Estamos prospectando mercado externo, trades e compradores fora do Brasil. É um processo mais demorado, é preciso achar a pessoa certa, mas que pode gerar grande competitividade para nós.”

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