Ideraldo Proença de Mello, de São Jerônimo da Serra, meeiro que há 16 anos se dedica à produção de tomate, fez as lições de casa do Projeto Hortinorte e está rindo à toa com os resultados que deverá colher este ano. Ele persegue a média de lucratividade de R$ 60 mil por hectare, com um gasto de produção em torno de R$ 30 mil.
  Com essa meta na cabeça, ele espera colher 110 caixas de tomates/ha – índice ainda não alcançado na região nas safras anteriores divido ao ataque da doenças geminivírus. ‘‘Com as novas variedades mais resistentes ao geminivírus creio que conseguirei voltar a produzir como antigamente’’, espera o agricultor. Ele tem duas áreas de cultivo que somadas chegam a quase um hectare e cerca de 40 mil pés da olerícola.
  Contrariando as orientações da diversificação, Mello continua apostando todas a fichas no tomate, mesmo sabendo que é uma cultura de alto risco. Este ano, especificamente, ele acredita que os produtores da região estão com o mercado nas mãos. Os municípios tradicionais da cultura perderam boa parte da produção em conseqüência de geadas e chuvas de granizos. ‘‘Minha expectativa é de engordar os lucros’’, diz com confiança.
  As perdas das lavouras do tomate já influem no comportamento de preços no mercado. A caixa do produto, segundo o agricultor tem o preço variando entre R$ 27,00 e R$ 28,00, um preço atípico para a cultura, na avaliação do técnico da Eamter. O custo de produção fica entre R$ 8,00 e R$ 10,00.
  Para insistir na monocultura, Mello se vale do argumento de que não compensa produzir pouco com o preço da caixa de tomate mantendo a média de R$ 12,00. ‘‘Não paga o custo de produção. Depois, tem outra coisa, o tomateiro é um tipo de agricultor diferente. A gente se acostuma a ter sempre uma rentabilidade alta, por isso, acaba enfrentando os riscos’’, conclui o agricultor.
  O técnico Paulo Hidalgo destaca que apesar de ser considerado bom produtor de tomate, a persistência pela monocultura de Mello não deve servir de modelo. ‘‘Apesar do preço bom, o produtor precisa estar consciente de que há riscos em se dedicar somente ao tomate. O custo de produção é crescente e isso demanda investimentos em tecnologia e profissionalização de quem produz. Estamos tentando quebrar esse isolamento dos tomateiros’’, afirma.

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