A cultura do abacate no Paraná está em expansão e já se consolidou como a terceira maior produção da fruta no Brasil, ficando atrás somente de São Paulo e Minas Gerais. Somente entre 2018 e 2019, a área plantada no Estado cresceu 10%, saltando de 1.160 para 1.279 hectares.

Em 2019, cada um dos 1.218 produtores paranaenses cultivou, em média, 21 toneladas de abacates por hectare, o que representou uma comercialização de R$ 49,6 milhões por 26.422 toneladas da fruta vendidas.

Mais de um terço dos produtores do Paraná (411) estão nas cidades de Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Ivaiporã e Santo Antônio da Platina, que, juntos, faturaram R$ 36 milhões com a fruta plantada em 916 hectares.

Na propriedade em Arapongas, expectativa é colher até 150 toneladas de abacate
Na propriedade em Arapongas, expectativa é colher até 150 toneladas de abacate | Foto: Gustavo Carneiro

O coordenador estadual de fruticultura do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) Paraná, Eduardo Augustinho dos Santos, explica que a expansão está relacionada à maior demanda pelo abacate.

“Recentemente, o consumo de abacate era de 300 gramas por ano no Brasil por pessoa. Hoje, esse número saltou para 1 quilo. Hoje temos um boom no plantio, mas para se manter no mercado o produtor precisa, primeiro de tudo, buscar assistência técnica”, orientou.

São duas principais pragas que afetam os abacateiros no Paraná: a podridão radicular (ou gomose) e a broca da fruta.

“Se o produtor não fizer o controle biológico, poderá perder cargas e cargas da produção”, alertou. O manejo inclui ainda a proteção das mudas do sol, sendo que existem até protetores solares disponíveis no mercado que baixam a temperatura das plantas.

O técnico explica que praticamente 100% da produção do abacate no Paraná hoje é para abastecer o mercado interno. São diversas variedades tropicais plantadas, como margarida, geada, fortuna, quintal e breda. Há também o avocado (hass), sendo que mais de 90% da produção dessa variedade cultivada no Estado é exportada.

A lucratividade alta e a possibilidade de ter a fruta praticamente o ano todo vêm estimulando novos produtores e a expansão da área cultivada pelos agricultores já atuantes.

“O faturamento no Paraná chega a R$ 40 mil por hectare”, destacou Eduardo. Para ter a fruta disponível para o mercado o ano todo, produtores fazem o plantio em diferentes altitudes e também escalonam as variedades cultivadas.

Lucratividade

O produtor Aderson Tokushima planta abacate há cerca de 20 anos, atividade que já está na segunda geração – o pai dele começou o plantio da fruta há mais de 40 anos. “Para o pequeno produtor, é uma opção rentável. Não trocaria por nada”, declarou. A lucratividade obtida com a comercialização da fruta varia de 30% a 50%.

Para obter o máximo em lucratividade, Aderson faz a adubação correta da lavoura e controla as pragas.

“Cada área precisa de uma quantidade de adubo, conforme a variedade da fruta é uma adubação diferente”, explica o agricultor, que produz as variedades quintal, fortuna e margarida. Para combater a broca do abacate, Aderson utiliza inseticida, já que, segundo ele, ainda são necessários estudos para atestar a efetividade do controle biológico contra a praga.

O produtor Aderson Tokushima obtém um lucro de até 50% com a comercialização do abacate
O produtor Aderson Tokushima obtém um lucro de até 50% com a comercialização do abacate | Foto: Gustavo Carneiro

A expectativa neste ano é colher entre 120 e 150 toneladas na propriedade de 15 hectares em Arapongas, bem acima do que no ano passado, quando foram colhidas 70 toneladas. “No ano passado não choveu em plena florada, entre agosto e setembro, e isso atrapalhou. A produtividade não depende só do produtor”, destacou.

A produção de mais de uma variedade possibilita a colheita de abacate praticamente o ano todo, do final de março até o final de novembro.

Vendidas principalmente para o Sul do Brasil, as variedades quintal e fortuna são colhidas em março e abril. De julho a novembro, ocorre a colheita da variedade margarida, comercializada principalmente para o Nordeste devido à maior resistência durante o longo trajeto.

Crescimento

A produção brasileira de abacate mais que dobrou desde 2016, saltando de 7 mil hectares para 15 mil hectares de área plantada atualmente, segundo estimativa da Abacates do Brasil – ABPA (Associação Brasileira dos Produtores de Abacate), a partir de um levantamento feito por um grupo de produtores e viveiristas.

A produção de abacate no Brasil atingiu 235 mil toneladas em 2018, 69,5% a mais em relação a 2009. Para 2022, a entidade projeta atingir 500 mil toneladas. O aumento do consumo vem impulsionando a cultura de maneira significativa.

“Um dos motivos que explica o aumento do consumo é o desejo de consumir produtos saudáveis e o aumento do vegetarianismo. Pesquisas médicas comprovam que o abacate ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, além de poder ser consumido por diabéticos devido ao baixo teor de açúcar”, explica Maria Cecília Whately, diretora-presidente da Abacates do Brasil.

Acreditava-se que o abacate engordava, porém hoje as pesquisas já descobriram que a quantidade de óleo (gordura boa) e o baixo teor de açúcar tornam o abacate um excelente auxiliar nas dietas indicadas por nutricionistas e médicos.

“Do ponto de vista da associação, entendemos que precisamos cada vez mais melhorar nossas boas praticas agrícolas para fornecer uma fruta com qualidade e segurança, além de incentivar o consumo por meio da divulgação de receitas, tanto doces como salgadas”, destacou Maria Cecília.

Uma das ações nesse sentido promovida pela associação será a criação de um manual com boas práticas, contendo informações sobre com plantar, colher e transportar a fruta com qualidade. Segundo a diretora-presidente da associação, a elaboração do manual está prevista para começar em fevereiro e as informações serão disponibilizadas ainda neste ano.

Produção

O Brasil é o 6º maior produtor de abacate do mundo, sendo que 95% da produção nacional é consumida no mercado interno.

“Acredito que nos próximos anos teremos um aumento das variedades mais destinadas para a exportação, já que a demanda do mercado internacional está crescendo”, conclui Maria Cecília.

O México lidera a produção mundial, correspondendo a aproximadamente um terço da produção mundial, seguido da República Dominicana, Peru, Colômbia e Indonésia.

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