A iniciativa de criar uma associação para processar o leite vendido cru pelos pequenos produtores de Maringá partiu do vereador Basílio Bacarin (PSDB), que também é professor aposentado da UEM. A principal justificativa de Bacarin é que apenas no ano passado, foram notificados 86 casos de tuberculose na cidade. ‘‘Isso siginifica apenas um quarto do número real de casos’’, garante. Outras doenças normalmente transmitidas pelo leite cru, também chamaram a atenção de Bacarin, que iniciou um trabalho de análise da saúde das vacas dos pequenos criadores.
Além de tuberculose, brucelose e mastite, foram detectadas outras doenças que podem afetar a saúde da pessoa que tomar o leite dos animais. ‘‘O correto seria cumprir a norma e impedir o comércio de leite cru, mas existem vários obstáculos’’, diz Bacarin. O primeiro é a falta de apoio ao pequeno produtor, que também depende da renda do leite e não tem como investir sózinho em melhorias. Depois vem a falta de pessoal para fazer a fiscalização. ‘‘Pensamos também no impacto que causa os fiscais jogando leite fora com tanta fome que existe’’, lembra.
Bacarin começou então um trabalho de conscientização dos produtores, cerca de 100 que fazem entrega do leite cru. No início poucos apareciam nas reuniões, mas o alerta sempre chegou a todos, de que era preciso mudar a situação. Depois de muito trabalho, a entidade começou a ganhar forma. O primeiro passo foi mobilizar todos os setores envolvidos e interessados. A proposta inicial, segundo o vereador, era instalar a leiteria no antigo prédio da central de merendas. A Policia Federal, que ocupa parte do imóvel, impediu a leiteria no local.
No meio do ano passado a Prefeitura concordou em locar um barracão na periferia, onde foi instalado o equipamento comprado pelos associados com muito sacrifício. A partir de agora, diz Bacarin, os produtores não podem mais reclamar que não tem apoio. Ele adianta que a fiscalização não vai mais aceitar o comércio de leite cru em Maringá. Quem for flagrado, vai pagar multa por litro de leite apreendido. ‘‘Foi o meu primeiro trabalho como vereador, e se não fizer mais nada estou satisfeito, porque o leite cru é consumido pela camada mais pobre da comunidade. Principalmente pelas crianças’’, diz Bacarin.(M.Z)

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