Em Cascavel, uma revolução na piscicultura

Imagine um grande potencial de negócio com todos os recursos possíveis mas que por ser mal explorado não gera resultados significativos. Por muito tempo, a piscicultura de Cascavel viveu dessa maneira: uma riqueza e potencial hídrico enormes, consumo de peixe importante na região, mas produtores mal assessorados que não geravam movimento suficiente na atividade.
Mas o cenário mudou desde março de 2017, quando foi implementado no município o Programa de Piscicultura, com metodologia séria, bem cercado por entidades do agronegócio e, principalmente, ações inovadoras para que a atividade deslanchasse. Em um ano, são impressionantes os resultados já alcançados.
Um dos técnicos da secretaria da Agricultura de Cascavel que atende o projeto, Edson Duarte da Silva, diz que um levantamento da Emater apontava que a cidade tinha um potencial para 600 hectares de lâmina d'água. "Temos uma empresa de pescado aqui que abate em torno de 140 toneladas de peixe por mês e 95% desse volume vem de fora do município. Quando começamos a nos mobilizar para o projeto, fizemos 102 cadastros e temos condições de trabalhar numa meta de 400 agricultores até 2020."
A metodologia é simples já realizada em outras cidades , mas com um poder transformador enorme: assistência técnica mais próxima e atendimento passo a passo desde as licenças ambientais, caminhos para linhas de crédito de custeio e investimento, cursos de capacitação e viagens in loco para conhecer cases de sucesso, como em Maripá e Toledo. "A gente vinha teimando que o produtor tinha que investir sozinho (sem acompanhamento da prefeitura). Analisamos que o que eles mais precisavam era a assistência técnica e assim despertou um trabalho junto com o Sindicato Rural Patronal e a Emater", complementa Silva.
Até aqui já são aproximadamente 26 agricultores regularizados no IAP (Instituto Ambiental do Paraná), alguns menores voltados à produção de subsistência e outros já investindo pesado, R$ 100 mil a R$ 200 mil para atender a um objetivo comercial. "Agora, no dia 23 de abril, já foi feita a ata e o estatuto foi aprovado em assembleia para a criação da Associação dos Aquicultores do Oeste do Paraná. Fazemos reuniões semanais para alinhar as necessidades dos produtores e quais os trâmites que cada um precisa passar. Este é um momento de paciência com eles, já que o processo é para médio e longo prazos."
O técnico da secretaria salienta ainda que tabelas técnicas do Deral apontam que o retorno médio com a piscicultura, de um investimento em grande porte, vem em quatro anos. Já na avicultura, por exemplo, o retorno chega entre oito e nove anos. "Hoje, 95% do peixe que trabalhamos é a tilápia."
Para 2020, a expectativa é pelo menos chegar a 150 piscicultores com uma produção forte, com média de 1,5 hectare de espaço e uma produção de 55 a 60 toneladas por hectare por safra. Com esses número (para um hectare), a receita média gerada a mais no município é de R$ 7,8 milhões. "Isso traz uma renda mensal para o agricultor de R$ 4,33 mil mensais, em torno de R$ 52 mil anuais. O projeto está andando bem, sempre com um ou dois produtores cumprindo todas as etapas do processo." (V.L.)





