Em busca do primeiro lugar
Experimentar um dos melhores cafés do Brasil, passado na hora, é uma oportunidade de entender a valorização dos cafés de qualidade. Mesmo para quem não é fã da bebida, é difícil recusar o convite do produtor Fábio Dória Scatolin para um cafezinho. O aroma é muito atraente e o sabor, adocicado e agradável, fica por um bom tempo na boca.
O produtor conquistou o terceiro lugar na categoria cereja descascado no concurso Abic. O lote de 10 sacas de 60 Kg foi arrematado pelo Café Casa Verde por R$ 1.050,00/sc. O valor médio de mercado é de R$ 270/sc.
Desde que plantou o primeiro pé de café, em 1977, Scatolin acompanhou diversas mudanças na forma de lidar com a plantação. Atualmente, a produção de uma bebida de qualidade começa na escolha das mudas das novas plantas para o seu seleto cafezal.
O Paraná é considerado um produtor de baixa categoria desde 1975. Depois da geada, muita gente que produzia com qualidade migrou para outras culturas. Quem continuou no café fez de tudo para baratear a produção. Agora é o momento de recuperarmos o tempo perdido. Muitos especialistas dizem que o nosso estado tem todas as condições de produzir o melhor café do mundo, e é para isso que trabalhamos, queremos sempre produzir o melhor, destaca o prudutor.
A propriedade de Scatolin fica em Ribeirão Claro (24 Km ao Leste de Jacarezinho). Criadodebaixo de pés de café, ele é Phd em economia e reside atualmente em Curitiba, onde é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Porém, não deixa de visitar a propriedade pelo menos uma vez por mês. Isso aqui vicia, justifica.
Aos poucos, o cafeicultor vai explicando o que é feito para produzir com qualidade. As mudas são compradas somente de viveiros registrados. A área de plantio é cuidadosamente escolhida e a face sul é evitada para diminuir a chance de ter a lavoura atingida por uma geada. O solo é analisado e recebe as correções necessárias.
Onde o terreno não permite o trabalho mecanizado, ele utiliza o sistema de plantio adensado. No momento da colheita, a atenção é dobrada. Na mesma rama é possível encontrar frutos em seis estágios diferentes. Somente os maduros podem ser colhidos.
Nas fases seguintes, os frutos são lavados, separados das impurezas, descascados e vão para um terreiro suspenso, onde a umidade passa de 80% para aproximadamente 11%. Depois disso, o café descansa em uma tulha, por um tempo que varia entre cinco e seis meses, antes de ir para a torra e moagem.
Entre os 120 mil pés de café da propriedade, existem quatro variedades: Iapar 59, Mundo Novo, Catuaí Vermelho e Bourbon. A produção é de 700 sacas por ano. Para garantir a qualidade da bebida, Scatolin conta com uma ajuda técnica muito importante, trata-se do técnico classificador e degustador de café Rogério Alves, da prefeitura de Ribeirão Claro e Emater.
Alves acompanha todas as fases da produção e degusta muitas doses de café até constatar que o produto está no ponto. Sigo todos os seus conselhos, garante o pordutor.
Um concurso nacional pede um café praticamente sem defeitos. Tudo é levado em conta pelo degustador, a bebida deve ter equilíbrio de atributos. São analisados a acidez, doçura, sabor residual, aroma e suavidade. O aspecto visual do fruto também é importante, por isso fazemos de tudo para que os cafeicultores daqui produzam um excelente café, relata Alves. (W.S.)





