Curitiba Uma pesquisa feita com os alunos do Ensino Fundamental da rede pública estadual sobre a aceitabilidade dos produtos servidos na merenda escolar, no final de 2005, apontou que apenas 55% deles acham bom o chá-mate servido nas escolas. O levantamento, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), ainda informou que 22% do alunado considera a bebida muito boa, 14% regular e 9% ruim. ''Queremos que alcance os índices do milho enriquecido com ferro, tido como muito bom por 83% das crianças e melhorar a oferta da segurança alimentar e de um produto nutricional sustentável'', diz Neusa Rucker, que é responsável pelo setor de erva-mate e corantes naturais do Deral/Seab.
Por isso, o Deral, juntamente com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Fundepar, desenvolvem pesquisas para tornar o chá-mate tostado para infusão da merenda escolar mais gostoso. ''Além de ter o preço de licitação muito baixo, as normas estipuladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária não privilegiam a granulometria, o aspecto, nem o sabor do alimento'', disse ela, que luta há 20 anos para melhorar a qualidade do produto que vai para as escolas. ''O que é oferecido hoje é uma erva-mate do tipo torrão ou totalmente esgotada acrescida de saborização. Tem muito pau e pouca folha, o que dá um gosto de serragem. A criança diz que não gosta e tem razão'', critica Neusa.
Por ano, cerca de 24 toneladas de chá-mate são destinados a merenda escolar de 830 mil alunos da rede estadual, que rendem o preparo da bebida doze vezes, por ano, em cada colégio. ''Isso porque o chá-mate é um alimento versátil. Ele pode ser servido quente no inverno, como gelado e com limão, no verão. E agrada os alunos das duas formas'', elogia Márcia Cristina Stolarski, chefe do departamento de Apoio Escolar da Fundepar.
De acordo com a nutricionista, o chá-mate não tem valor calórico significativo, mas associado a outras preparações, colabora para uma refeição gostosa. Há cinco anos que o chá-mate da merenda é de origem catarinense. Em quase todo o Estado o chá-mate é bem recebido, mas a aceitação é maior na região sudoeste, onde a colonização é de gaúchos e catarinenses. (F.G.)

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