Os produtores brasileiros têm valorizado cada vez mais a qualidade industrial do trigo. No Paraná, principal produtor de trigo do Brasil, a tendência se confirma e o Estado tornou-se grande fornecedor de matéria-prima para os fabricantes de pães. Muita coisa mudou na relação entre o campo e a indústria. Cerca de 15 anos atrás, nos tempos do subsídio, o governo determinava a política de abastecimento. Com o advento do livre mercado, os produtores tiveram que administrar mais um fator, além de plantar e colher bem: buscar um tipo de grão para atender as especificações da indústria. Estão conseguindo.
A mudança de mentalidade ocorreu por causa da privatização da produção do trigo. No início, o governo comprava toda a produção nacional. Com a mudança na legislação, na década de 90, os próprios produtores passaram a comercializar o trigo com as indústrias de massas.
As características dos grãos tornaram-se tão importante quanto o tipo de solo e o clima perfeito, tão valorizados em décadas passadas. ''A finalidade da semente vem descrita na embalagem e o produtor tem autonomia para escolher que tipo de trigo plantar. Mesmo assim, ainda é importante adaptar a semente ao solo e clima ideais'', comentou o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) Otmar Hubner.
O agrônomo ressalta que a produção nacional de trigo em 2003 foi de 5,8 milhões de t, sendo o Paraná responsável por 53% da colheita. Hubner prevê a mesma produção para 2004, mesmo com o aumento de 8% da área produtiva do Estado. ''A safra passada teve produtividade recorde. Este ano, o plantio começou com atraso, mas o clima estável deve favorecer a lavoura'', afirmou. Os próprios agricultores paranaenses produziram as 210 mil t de sementes certificadas disponíveis para a safra de trigo deste ano.
Parceria em Sertanópolis - Para Mário Venturelli, diretor do Moinho Globo, de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), a utilização da semente adequada é fundamental na produção de farinhas e pães. ''A equipe técnica do moinho acompanha as pesquisas feitas pela Embrapa e pelo Iapar para descobrir em quais áreas estão sendo plantadas as variedades que apresentam maior qualidade para a indústria de pães'', declarou.
Toda a colheita de trigo da família Venturelli é destinada ao moinho, que ainda conta com a produção de outros 112 agricultores da região de Sertanópolis. ''O moinho não tem produção própria, mas apóia os produtores financiando e distribuindo sementes'', argumentou o diretor.
Segundo o gerente de vendas do Moinho Globo, Edson Siqueira, 75% do trigo triturado é destinado a produção de farinha. Deste total, 40% é utilizado na fabricação de pães e outros 40% compõem farinhas para uso doméstico. ''O moinho produz hoje 9 mil t de farinha/mês e pretende crescer cerca de 30% em 2005 com a construção de duas novas unidades'', contabilizou.
Moacir Canônico, produtor de trigo em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), também utiliza sementes qualificadas em sua propriedade, que em 2003, teve uma produtividade de 3 mil kg/ha. ''A combinação solo bom, clima próprio e semente adequada é ideal para a produção de um trigo de alta qualidade. Estar atento às necessidades do consumidor também é muito importante'', finalizou.

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