Por seus recursos hídricos e localização geográfica, o Norte do Paraná é a região do Estado com maior potencial para o desenvolvimento da piscicultura. No entanto, pode-se dizer que a atividade ainda dá os primeiros passos por aqui, principalmente se compararmos a situação local com o estágio atingido no Oeste, por exemplo, onde já existe uma estrutura montada para dar suporte à produção.
Com o objetivo de mudar este quadro e transformar a região em pólo produtor de peixe, o município de Rolândia vem realizando, há três anos, o Encontro Regional de Piscicultores. No último encontro, nos dias 22 e 23 deste mês, o evento aconteceu paralelamente a exposições de espécies comerciais e ornamentais e a atrações como a 6ª Feira do Peixe Vivo, 1ª Pega do Bagre e 1ª Mostra de Produtos e Subprodutos do Peixe.
O Rolândia Peixe, como foi denominado o evento em seu conjunto, é uma realização da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), através da Emater; Prefeitura Municipal e Associação Rolandense de Aquicultores (Araqui), sob patrocínio da Cooperativa Agrícola Rolândia (Corol).
O encontro - que este ano contou com a participação de 150 produtores de Rolândia e região - visa tecnificar o produtor e difundir a piscicultura como opção de diversificação nas propriedades rurais. Os temas abordados nas palestras (Doenças de Peixe, Sistemas de Produção, Manejo de Água e Alimentação; Comercialização e Agroindústria) foram reivindicados pelos próprios criadores, que têm mantido a média de produtividade do município em 10 toneladas por hectare ao ano.
Filetagem Rolândia possui 40 piscicultores, que entregam praticamente toda a produção em pesque-pague. A Associação de Aquicultores, hoje com 33 associados, tem como meta montar um frigorífico de filetagem, o que abriria mais uma opção de mercado com a venda e industrialização da carne. ‘‘O hábito alimentar da população está mudando, e cresce a cada dia o consumo de peixe, forçando a maior produção’’, observa a veterinária do escritório da Emater, Gaíza de Paula Iácono.
De acordo com o chefe regional da Emater, Ademir Antonio Rodrigues, a instituição reconhece a potencialidade do município para a atividade, por isso tem trabalhado no sentido de incentivá-la e de preparar melhor os produtores para exercê-la. ‘‘A atividade já está partindo para a produção intensiva na região, e ainda existe muito a crescer em termos de tecnificação para diminuir custos e tornar o preço do peixe mais acessível, aumentando, com isso, o consumo’’, afirma Rodrigues.
Para o zootecnista, além dos recursos hídricos disponíveis, a região é muito bem situada geograficamente, com grandes centros de consumo como Londrina. Mas o mercado ainda deve ser organizado. O produtor, segundo Ademir Rodrigues, precisa estar preparado para competir com outros tipos de carne e com o pescado de água salgada, criando o hábito de consumo numa população que normalmente não consome muito peixe.
Mas para que este hábito se instale, na opinião do chefe da Emater, a produção deve ser constante durante todo o ano, além do piscicultor saber exatamente o que o consumidor quer, melhorando a qualidade em termos de padronização do produto final. A instalação de agroindústrias também é vista como uma necessidade, já que, na opinião de Rodrigues, o produtor não pode ficar restrito apenas ao consumo dos pesque-pagues, um mercado que tende a se saturar com o tempo. ‘‘É preciso ter outras opções de comercialização’’, recomenda.

mockup