Em busca de novos mercados para o feijão
O Multi Agro deste domingo (4) mostra as pesquisas de melhoramento genético realizadas com um dos grãos mais consumidos pelos brasileiros
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de agosto de 2019
O Multi Agro deste domingo (4) mostra as pesquisas de melhoramento genético realizadas com um dos grãos mais consumidos pelos brasileiros
Katiuscia Mizokami 

O Brasil se destaca no cenário agrícola internacional como um dos maiores produtores de feijão. A produção anual gira em torno de 3,2 milhões de toneladas. Para que o prato preferido dos brasileiros seja sempre de qualidade, o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) desenvolve pesquisas visando seu melhoramento genético.
O Estado lidera o ranking nacional de produção do feijão, sendo responsável por 22% do que o País produz. De acordo com a pesquisadora Vânia Moda Cirino o instituto realiza, desde sua fundação, trabalhos para o melhoramento genético do grão. “Até agora foram em torno de 40 variedades de feijão colocadas à disposição do produtor.”
Visando à exportação, a conquista de novos mercados, a equipe do Iapar está trabalhando atualmente na seleção de linhagens de feijão de grãos especiais, mais comuns na América do Norte, Europa e Ásia. De acordo com a pesquisadora, o brasileiro consome mais os feijões dos tipos carioca e preto, de grãos menores. Já no exterior, são consumidos feijões mais graúdos.
No programa de melhoramento a equipe desenvolve variedades que tragam alta rentabilidade para o produtor. São desenvolvidas, então, linhagens mais tolerantes ao calor e à seca e mais resistentes a doenças. Com isso, o agricultor não precisa usar muito insumo, reduzindo o custo de produção. “Por outro lado, essas variedades também têm alto potencial de rendimento e excelente qualidade comercial e culinária”, afirma Cirino.
Uma das variedades de desataque do Iapar é a IPR Uirapurú, lançada no ano de 2000. “Até hoje é uma das variedades de feijão preto mais plantadas no país. Ela existe há quase 20 anos. Ou seja, a gente não encontra uma variedade de soja há tanto tempo no mercado”, diz. Essa linhagem apresenta tolerância a calor, seca e solos ácidos, sendo ótima para pequenos produtores.
Além das variedades do grupo preto e carioca, o Iapar também desenvolve o tipo exportação para que os agricultores possam conquistar novos mercados e agregar mais valor à sua produção e, consequentemente, mais rentabilidade. “Se queremos exportar feijão, temos de criar variedades que se adaptem bem às condições de clima e de solo desses grupos comerciais”, explica Cirino.
A pesquisadora também comenta que quando existe uma produção maior do feijão no Brasil, esse excedente não é exportado, pois quem consome esses tipos de feijão é somente o brasileiro. “Então, se tivermos uma diversidade que possa ser exportada, é muito maior a chance do produtor ser bem-sucedido com essa cultura”, afirmou.
O programa de melhoramento tem vários segmentos. No ano passado o instituto lançou uma variedade do tipo carioca, chamada de IPR Sabiá. E este ano foi lançada outra do tipo preto, que é a IPR Urutau. “Nós as chamamos de Top 5000”, disse. O potencial de rendimento dessas variedades é de aproximadamente cinco mil quilos por hectare. Eles são resistentes a doenças e tem um ciclo semiprecoce.
PROCESSO DE CRIAÇÃO
O trabalho de criação de novas variedades de feijão começa nas casas de vegetação existentes no Iapar. “É dentro dessas casas que fazemos os cruzamentos. Então, procuramos recombinar, em uma única planta, genes que conferem características agronômicas, culinárias e comerciais dos grãos. É aqui que começa todo o trabalho de melhoramento genético”, explica.
Dentro dessas casas de vegetação existem materiais usados como genitores masculinos e femininos. Todos os descendentes desses cruzamentos são levados a campo, onde ficam por sete gerações. “Nós plantamos, colhemos e selecionamos para que durante esse período todo exista uma estabilidade genética do material.”
Após todo esse processo, é feita a seleção dos mais promissores que são enviados a diferentes locais do Estado para que o desempenho seja avaliado e, posteriormente, ser registrado no Ministério da Agricultura como uma nova variedade. De acordo com Cirino, o tempo para que uma nova variedade seja disponibilizada para plantio é de dez anos.
O Multi Agro vai ao ar neste domingo (4), às 8 da manhã, na MultiTV (canais 20 e 520 da Net).


