Em busca da segurança alimentar
Cristina Côrtes
De Londrina
O surgimento dos alimentos transgênicos colocou em destaque uma questão bastante importante que é o controle de qualidade e segurança alimentar dos produtos agrícolas. Para a chefe da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Regini Nutti, a avaliação da segurança alimentar das plantas é uma questão séria e que deve ser feita com qualquer produto e não somente com os produtos geneticamente modificados. Sem testes conclusivos, não podemos lançar produtos e isto vale para qualquer tipo de produto, transgênicos ou não.
A pesquisadora foi uma das palestrantes durante Seminário Internacional de Alimentos Transgênicos realizado nos dias 13 e 14, em Londrina, e falou sobre avaliação da segurança alimentar, métodos de certificação de alimentos não transgênicos e controle de qualidade alimentar sob a ótica das plantas transgênicas.
CapacitaçãoMarilia é responsável pela implantação de uma Projeto de Segurança Alimentar e Ambiental de Alimentos Transgênicos, que pretende montar uma rede em todo o País que integre as diversas instituições e empresas com trabalhos afins, para que atuem em conjunto. Nosso objetivo é viabilizar os testes, que são caros, e conseguir resultados mais rápidos .
A previsão é de que no ano que vem a Embrapa já consiga fazer estudos pilotos com produtos transgênicos da Embrapa. Serão os primeiros estudos deste tipo realizados na América do Sul.
A pesquisadora explicou que com relação a liberação da soja transgênica da Monsanto, os testes de segurança foram feitos no Estados Unidos e analisados e aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Na Embrapa só vamos testar os produtos resultados da pesquisa brasileira. Estamos pesquisando soja, milho, batata, arroz, feijão, algodão e mamão, entre outros.
Sobre a divulgação de que os brasileiros já estão consumindo produtos transgênicos importados, Marília comenta que estes alimentos passaram por avaliação de segurança nos EUA.
Nos Estados Unidos, Canadá e Argentina não há obrigatoriedade de rotalagem e identificação de produtos transgênicos que não apresentam modificações em sua estrutura. É o caso da soja que tem somente como alteração a resistência ao herbicida e não na sua estrutura .
O Brasil ainda está discutindo se rotula ou não os produtos geneticamente modificados, e provavelmente alguns produtos importados tem em sua composição soja transgênica. Apesar de não termos ainda uma decisão, penso o Brasil vai optar pela rotulagem, comenta Marília.
AvaliaçãoA pesquisadora explicou que os testes de segurança incluem avaliação química, bioquímica, nutricional e toxicológica dos produtos. Além disso, realizam estudos com animais para saber o impacto dos alimentos no seu desenvolvimento, estudos comparativos e estudos de alergenicidade. Os primeiros produtos transgênicos brasileiros deverão chegar ao consumidor a partir do ano 2002, informa a pesquisadora.
A pesquisa com plantas transgênicas pode ser dividida nas seguintes etapas, segundo Marília. A primeira onda, o interesse dos pesquisadores destacou o melhoramento agrícola, na busca de plantas resistentes a insetos, vírus e fungos, que são os resultados apresentados atualmente. Numa segunda onda virão os produtos com melhoramento nutricional. É o caso do óleo de soja com mais ácido oleico, a batata com menos água e que retem menos gordura na hora de fritar. E depois numa terceira onda, os produtos que poderão ser considerados medicamentos.
RegulamentaçãoA pesquisadora Susan Koehler, do Serviço de Inspeção do Departamento de Agricultura do Estado Unidos falou sobre o processo formal da liberação dos transgênicos nos EUA, e os diferentes aspectos da discussão sobre a regulamentação das plantas transgênicas. Sobre a polêmica gerada pelo assunto em todo o mundo, Susan diz que sempre haverão perguntas sem respostas, principalmente em questões de longo prazo. As modificações feitas nas plantas transgênicas poderiam ser conseguidas com o melhoramento tradicional, só que levariam muito mais tempo. Com a engenharia genética podemos alcançar resultados mais rápidos e este é nosso objetivo.
Ela explicou que nos EUA existe uma regulamentação federal sobre plantas transgênicas, e que apenas alguns estados tem legislação restritiva com relação a questão ambiental, como o estado de Minesota, Carolina do Norte, Hawai. Lá cada estado pode opinar sobre a introdução de plantas nos campos e podem ter regulamentação específica.
Susan informou que nos EUA a áreas de pesquisa com transgênicos tem se dividido da seguinte maneira: plantas resistentes a herbicidas 27,9%; plantas resistentes a fungos 4,9%; qualidade, 1,9%; resistente a insetos, 24,4%; vírus, 10,5; e características agronômicas 5,6%. A pesquisadora explicou que as pesquisas com benefícios agronômicos foram as primeiras a serem realizadas por que são mais fáceis de conseguir resultados do que as pesquisas com melhoramento em qualidade e nutrição.





