Em busca constante de capacitação

A busca por capacitação técnica das produtores paranaenses ao longo dos últimos anos tem feito a diferença para que elas estejam em alto patamar em relação à gestão da propriedade e outras atividades. Dados do Senar-PR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) são prova cabal de que este é um caminho sem volta para o agronegócio paranaense.
A reportagem da FOLHA teve acesso ao relatório de participação de homens e mulheres nos cursos do Senar nos últimos cinco anos, em todas as regiões do Estado. Do total de 617,1 mil participações, o sexo feminino ficou responsável por 292,4 mil, ou seja, 47% do volume total (veja o gráfico). Na grande maioria dos períodos, os homens ficaram à frente, com exceção de 2014. Mesmo assim, o volume de participações por ano é bem parelho, o que mostra o interesse das mulheres pela capacitação.
A produção artesanal de alimentos continua sendo o mais procurado, com 80,5 mil participações nos últimos cinco anos. Na sequência estão o programa de educação a distância (45,2 mil), trabalhador na administração de empresas agrossilvipastoris (44,6 mil), aplicação de agrotóxicos (40,8 mil), entre outros.
Outro destaque do Senar é o projeto 'Donas da Avicultura', que começou em formato piloto em 2016, e ganhou nova turma no ano passado. Quatro turmas de mulheres, no total de 40, participaram do treinamento focado na operação de controladores de ambiência para aviários, medições de condições térmicas e inspeção de vedação, conteúdo do curso Trabalhador na Avicultura de Corte, no CTA de Assis Chateaubriand. A entidade também promoveu o Donas da Suinocultura no Centro de Treinamento da Cooperativa Lar, no município de Medianeira. Dez mulheres receberam treinamento voltados para recria a terminação dos animais.

O gerente técnico do Senar-PR, Eduardo Gomes de Oliveira, relata que a movimentação nos cursos ganhou força a partir de 2008, quando um projeto chamado 'Mulher Atual' foi criado para resgatar a autoestima da mulher no meio rural. "Já são quase dez anos e a partir daí surgiram vários outros grupos de envolvimento de mulheres, inclusive que partiram para a área de empreendedorismo, gestão e administração da propriedade", explica.

Outro detalhe interessante é que muitas já estão participando de cursos ligados a atividades operacionais e, em alguns casos específicos, conseguem fechar turmas para operação de máquinas, tratores e colheitadeiras, por exemplo. "O homem tende a estar mais ligado às atividades operacionais, enquanto a mulher mais vocacionada para atividades de administração, pois tem um senso de organização melhor, se preocupa um pouco mais com as contas, entradas e saídas, fluxo de caixa, e acaba suprindo este papel. Entretanto, na parte operacional, muitas atividades não dependem mais de força bruta e elas também estão participando."
Café, agroecologia e agroindústria são opções fortes no Estado
De fato as mulheres sempre estiveram presentes na área rural, mas agora existe uma intensidade nos trabalhos e força na tomada de decisões da família. Isso puxado com força no Estado graças a algumas atividades, como o turismo rural nas propriedades, o café com um trabalho excelente no Norte Pioneiro -, a agroindústria de processamento de produtos e a agroecoecologia.
Quem cita tais atividades é a coordenadora estadual da área de cidadania e renda do Instituto Emater, Mirian Fuckner. "No Norte Pioneiro, por exemplo, a experiência com o café já está levando as mulheres para uma expressão internacional. Outros estudos colocam as mulheres em mais quantidade na produção agroecológica", explica Mirian.
Para a coordenadora, a força das mulheres também está intimamente ligada a políticas públicas dirigidas para a área social nos últimos anos, com recursos que apoiam diversos projetos que o sexo feminino no meio rural acaba sendo impulsionado. "Os recursos que vêm para apoiar esses projetos geralmente atingem famílias com vulnerabilidade social, que conta com mulheres. Isso dá um efeito no campo, porque dificilmente elas abandonam a propriedade rural, diferentemente dos homens. Isso deu um impulso maior ao trabalho."
E quando a mulher começa a gerar renda na propriedade, isso acaba impactando toda a família. "Existe uma melhora significativa na qualidade de vida, porque ela uso os recursos que gera para a evolução de cada membro, por exemplo os filhos, que vão estudar. No início os maridos ficam receosos, principalmente quando elas começam a se capacitar, mas depois eles percebem o quanto isso contribui para a propriedade e inclusive no relacionamento familiar."





