O agricultor Nilton Vitoriano Ferreira, baiano de nascimento e que se criou em São Paulo, conseguiu há dois anos realizar o sonho de todos os bóias-frias: comprou uma pequena propriedade, de apenas um alqueire, ou 2,4 hectares, em Astorga, no Norte do Paraná. Trabalhando a vida inteira como empregado em fazendas de grandes produtores, Nilton conseguiu juntar um dinheiro e comprar o pequeno lote, onde vive hoje com a família e de onde tira o seu sustento.
Convidado pela Fetaep para dar um depoimento de como conseguiu passar de bóia-fria a um bem sucedido pequeno proprietário, ele contou que quando decidiu comprar o sítio, além da família não contou com o incentivo de mais ninguém.
‘‘A maioria dos meus amigo dizia que era loucura, que eu não ia conseguir sobreviver e que ia ter que continuar vivendo como bóia-fria’’, lembra. Apesar da falta de incentivo dos amigos, o agora ex-bóia-fria, tendo a ajuda da família - mulher, dois filhos solteiros, um casado e a nora -, começou a trabalhar duro e hoje vive exclusivamente do que planta e cria no pequeno sítio.
A renda líquida obtida com a produção é de R$ 600,00 o que representa o equivalente a R$ 100,00 por pessoa. ‘‘Às vezes a gente se aborrece de trabalhar tanto e sobrar tão pouco, mas é melhor trabalhar na terra da gente do que ficar trabalhando de bóia-fria’’, afirma.
Para viabilizar economicamente uma área tão pequena, Nilton Vitoriano Ferreira buscou a diversificação e procurou voltar a sua produção sempre para a necessidade do mercado. Fez assim com os 700 pés de acerola que plantou já com mercado garantido através de um contrato de fornecimento de toda a produção para uma indústria de suco. Este ano, está colhendo cerca de 12 mil toneladas da fruta.
Outra importante fonte de renda da pequena propriedade de Nilton é a granja de frangos, que também funciona através da integração com um abatedouro da região. Além de fornecer frangos para o abate, a granja garante como subproduto a chamada ‘‘cama-de-frango’’, esterco produzido pelos frangos que serve para adubar a terra onde é cultivada a horta, que também contribui para cobrir os custos de produção do sítio através da venda de hortigranjeiros. Além disso, no pequeno sítio, Nilton ainda planta uma variedade de outras frutas e cria porcos.
A produção que não é fornecida diretamente à indústria, é vendida diretamente ao consumidor na Feira do Produtor, que acontece na cidade todos os sábados. ‘‘A gente colhe os produtos na sexta-feira, embala e deixa tudo pronto para vender sábado na feira’’, conta o agricultor.
Para viabilizar o sítio, o agricultor procurou ao máximo fugir do banco. No ano passado, no entanto, pegou um pequeno empréstimo através do Programa Panela Cheia, que hoje paga com dificuldade.
Apesar disso, Nilton, que trabalhou a vida inteira de bóia-fria, considera a pequena propriedade, mas adianta que para viabilizá-la é preciso muito trabalho. ‘‘A gente trabalha todos os dias das 6 às 10 da noite para conseguir ter alguma coisa. Ninguém vai ficar rico, mas pelo menos dá para viver com o que é da gente’’, afirma. (E.F.)

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