Com 1,2 mil produtores, a Associação Norte Paranaense dos Horticultores (Apronor) possui atualmente uma produção de tomates que fica na casa das 50 mil caixas por mês, o que representa aproximadamente 30% da produção total. O número parece razoável, mas não é, quando comparado ao plantio da olerícola em 2009. Dados da associação apontam que, naquele ano, a produção girava na casa de 500 mil caixas mês, ou seja, em três anos a retração foi de 90%.
O produtor de tomate e pepino e presidente da Apronor, Luis Corneguntes Bortolassi, aponta que realmente a produção era muito elevada, o que fez com que a caixa de 22 quilos chegasse a ser comercializada no Ceasa de Londrina a R$ 5. Só como base de comparação, este ano a mesma caixa, no mesmo centro de comercialização, atingiu o valor de R$ 150 antes da Semana Santa, comemorada final de março em 2013. "Relembro que em um daqueles dias, chegamos a jogar fora mil caixas de tomate, isso sem contar o que foi doado para o Banco de Alimentos", explica ele.
Essa situação fez com que muitos produtores, naquela época, abandonassem o plantio do tomate e partissem para outras culturas, que possuem um custo menor de produção, como é o caso das verduras em geral. "Este cenário, com preços tão ruins, acabou endividando gravemente os produtores. Uma caixa de tomate tem custo médio, atualmente, de R$ 18 a R$ 20 (R$ 0,90 o quilo). Como seria possível sobreviver ganhando R$ 5 pela caixa? A estratégia foi partir para outras culturas."
Números oficiais do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), apontam que entre 2007 e 2011 a produção de tomates caiu 53%. A queda foi de 98,2 mil toneladas para 46 mil toneladas em apenas quatro anos, o que reflete exatamente o problema citado por Bortolassi. "Muitos saíram obrigados, pois não tinham condições de continuar. Agora, quem conseguiu persistir, este ano acabou ganhando dinheiro. Quem produziu mil caixas de tomate, por exemplo, faturou bruto em média R$ 100 mil", estima o produtor.
Após o boom na Semana Santa, agora os preços estão estabilizados, em média, a R$ 75 a caixa, o que ainda é considerado alto. O presidente da Apronor explica que neste momento os estados estão conseguindo suprir a própria demanda e o valor da caixa ainda não baixou mais devido ao clima, que acabou atrapalhando a produção. "Se a caixa estabilizar a R$ 40, R$ 50 fica interessante para nós e também para o consumidor final, que vai pagar em média R$ 3 pelo quilo na gôndola supermercado", complementa ele.

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