Em 25 anos, fazendo um Brasil melhor
Em 25 anos, fazendo um Brasil melhor
Alberto Duque Portugal
Quis a sociedade brasileira criar a Embrapa, em 1973, com a missão de tornar possível a multiplicação dos pães, como um milagre da Ciência. Ou seja dar condições, ao nosso homem do campo, de aumentar a produção em cada pedaço de chão; de gerar alimentos para atender às necessidades de nossa gente e ainda trazer divisas para o País ao exportar os excedentes.
A Embrapa, por meio da Ciência, ajuda a criar e manter a única avenida pela qual transitam, de forma harmônica, os interesses de vários segmentos da sociedade. Dos consumidores que desejam alimentos de melhor qualidade a preços mais baixos; dos produtores que querem aumentar sua renda; dos exportadores que enfrentam um mercado externo por vezes cruel e, finalmente, de todos os brasileiros que anseiam a preservação do meio ambiente. Quem realiza esse milagre de conciliação é o incremento da produtividade e da qualidade na agricultura, características básicas para assegurar o bem-estar dos brasileiros.
E foi na busca do aumento da produtividade e qualidade que a pesquisa possibilitou um melhor conhecimento do potencial produtivo dos nossos ecossistemas, tornando viável a agricultura dos Cerrados e aperfeiçoando as técnicas de produção sustentável na Amazônia e no Pantanal. As tecnologias criadas tiveram tal impacto sobre a produtividade da terra que, no período 1985-1997 a produção cresceu a taxas três vezes maiores que as de população, sem que fosse necessário ampliar o espaço sobre o qual a agricultura se processava. Ganharam com isso os produtores, consumidores e exportadores. Enfim, todos os brasileiros.
O passado encerra lições prodigiosas para o futuro. Inclusive permite desvendar seus mistérios e desafios. Como lição, mostra que o caminho correto para enfrentar os dilemas da produção, conciliando os interesses do agronegócio, dos consumidores e exportadores e de preservação do meio ambiente, passa necessariamente pelos investimentos em Ciência e Tecnologia. E mais: o papel do Poder Público é decisivo em promover, realizar, coordenar a pesquisa e estimular a iniciativa particular. As instituições públicas de pesquisa têm que ser transparentes à sociedade, eficientes, como se pertencessem ao setor privado, na administração de seus recursos, e devotadas a objetivos claros, facilmente entendidos por técnicos, produtores, consumidores e pela classe política.
A abertura econômica rompeu o isolamento de nossos produtores que, agora, terão de competir tanto no mercado interno quanto no externo. A par de uma política que os estimule, sem ferir as regras do comércio internacional, precisam de um arsenal tecnológico que, pelo menos, não os coloque em desvantagem em relação a seus competidores. Gerar esse arsenal de tecnologia é o grande desafio da pesquisa agropecuária brasileira. Se, de um lado, é verdade que os mercados de produtos e insumos se internacionalizaram, não é menos verdade que Ciência & Tecnologia também têm dimensões e implicações internacionais. Mesmo a especificidade da tecnologia quanto aos ambientes perde terreno no mundo diversificado e avançado da Ciência, onde o limite é mais ético do que técnico. Há um mercado enorme de onde importar e ainda maior para onde exportar os produtos da Ciência, como as Américas, Ásia e África. Esse mercado é comandado pela competência e perseverança. Aí reside outro desafio que o futuro encerra. O de uma Embrapa capaz de gerar tecnologias para o mercado interno e externo, ágil em descobrir oportunidades, e incrustada nos principais centros do saber mundial. De uma Embrapa capaz de contribuir para a inserção, em definitivo, dos produtores que atuam sob regime de agricultura familiar ao processo de desenvolvimento.
O segredo do sucesso, como no passado, reside nos recursos humanos de treinamento de nível avançado, em igualdade com os melhores do mundo. Numa administração flexível e leve. Na preocupação constante com a transparência e eficiência. Na identificação de demandas da sociedade e sua viabilização em projetos de pesquisa. E, finalmente, no entrosamento profundo com outras instituições públicas e organizações privadas, dentro do conceito de parceria.
A sociedade moderna se move com tal agilidade que o futuro está cada vez mais próximo. E ele é repleto de desafios. É papel de cada colaborador da Embrapa, empregado ou não, de cada brasileiro, prepará-la para esses novos desafios.
O autor é diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa.





