No cedoA soja de Pelizer foi plantada no cedo, pegou tempo bom e já foi colhidaO fenômeno El Ni¤o, que provocou excesso de chuvas na região Noroeste do Estado, fez a alegria do produtor Olímpio Pelizer, de Floresta (25 quilômetros de Maringá). Ele decidiu apostar na sorte e plantou 20 alqueires de soja no dia 10 de setembro do ano passado, quase um mês antes do período recomendado pela pesquisa. Na semana passada Pelizer era o único produtor do Brasil a colher soja, com uma produtividade surpreendente para a época: a média ficou em torno de 116 sacas por alqueire, praticamente igual à alcançada em períodos normais.
As vantagens não pararam por aí. O mais importante, observa Pelizer, é o preço alcançado pela saca, entre R$18,50 e R$17,50. ‘‘A partir de agora a tendência do preço é só de queda, já que a colheita começa daqui a alguns dias’’, lembra. Ele diz ainda que, colhendo antes de todo mundo, conseguiu máquinas e caminhões para o transporte com mais facilidade, além de não enfrentar fila na entrega. ‘‘Resolvi arriscar e me dei bem’’, afirma Pelizer.
A produtividade foi surpreendente para a época: 116 sacas por alqueire (47 sacas por hectare)
No mesmo dia em que colhia a soja, ele já iniciava o plantio do milho-safrinha na área de 20 alqueires. ‘‘Depois do milho ainda tenho tempo de sobra para plantar uma aveia e repor o que o solo perdeu’’, explica Pelizer. A prática de adiantar a safra é normal no município de Floresta, que este ano está com cerca de 5 mil alqueires de soja. Os produtores plantam alguns dias antes do início do período recomendado, para ganhar com o milho, que evita o risco de geada no inverno. ‘‘No ano passado já tinha plantado um pouco antes, mas lá pelo dia 27 de setembro’’, lembra Pelizer, sem comentar o resultado da colheita.
Plantio de riscoO agrônomo Paulo Roberto Milagres, da Emater de Floresta, diz que a pesquisa não aconmselha plantio da soja fora do período recomendado, entre outubro e dezembro. ‘‘Quem planta fora da época determinada pelo zoneamento tem uma quebra média de 20%. Mas os produtores apostam na sorte e tentam tirar as perdas na safrinha de milho’’, explica.
Marcos NegriniOlímpio Pelizer: risco calculado
Segundo Milagres, plantando dentro da época recomendada pela pesquisa, o produtor evita o veranico comum na região em dezembro. ‘‘Como este ano o regime de chuvas foi bom, a cultura teve um desenvolvimento normal’’, compara.
Outro problema para quem planta fora dos prazos, explica o agrônomo, é a falta de financiamento e de garantia para a lavoura. ‘‘Dificilmente o agente financeiro libera recursos para o plantio fora de época, e se isso ocorre a lavoura fica sem o Proagro, e qualquer prejuízo será absorvido pelo produtor’’, diz Milagres. Ele lembra ainda que este ano Pelizer foi o único produtor do município que arriscou.
O agrônomo Heidi Kando, da Unicampo Noroeste, empresa que deu assistência à lavoura de Pelizer, diz que a produtividade da área já colhida foi muito boa. Ele revela que foi utilizada a variedade Ocepar 14 precoce, e que além do bom regime de chuvas o ataque de pragas e doenças ficou abaixo da média de outros anos. ‘‘Tudo isso acabou ajudando no resultado final, mas nós não recomendamos o plantio tão antecipado assim’’, afirma Kando.
No total, o produtor Olívio Pelizer plantou 52 alqueires de soja em Floresta. ‘‘O restante da área foi plantada no período recomendado’’, observa. Durante a colheita, que começou no dia 6 de janeiro, ele festejava o resultado, mas ficou revoltado com a queda de R$1,50 no preço da saca depois que começou a entregar a soja. ‘‘A gente só fala que vai colher e o preço já começa a cair’’, diz, revoltado.

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