As perspectivas para o mercado de soja apresentam-se em baixa para os próximos anos, o que pode ser avaliado por uma série de conjunturas, motivadas, entre outros fatores, pelo início, possivelmente em maio, do fenômeno climático "El Niño". Entretanto, a demanda global por alimentos vai favorecer países produtores, como o Brasil.

A avaliação é de João Antônio Lapolli, titular da área de riscos e mercado do Banco Cooperativo Sicredi, de Porto Alegre. Ele esteve na ExpoLondrina, anteontem, quando tratou sobre as tendências do agronegócio em evento promovido pelo Sicredi União PR/SP e Cocamar.

Segundo Lapolli, o aquecimento das águas do Pacífico Sul é indicativo de que o "El Niño" está iniciando sua atividade, o que poderá trazer riscos em escala global. Para o Brasil, a previsão é de que a primavera e o verão sejam mais úmidos, o que deve contribuir para a boa produtividade das lavouras.

Já nos Estados Unidos, o efeito poderá ser um atraso no plantio de milho em razão do frio e a possibilidade de inundações nas regiões produtoras. Com isso, aquele país, que já havia anunciado um aumento de 6% da área cultivada de soja em detrimento do milho (-4%) este ano, poderá acabar ampliando ainda mais o espaço com a oleaginosa. "Se tivermos boas safras no Brasil e nos Estados Unidos, as cotações tendem a perder força", ressaltou.

Na safra 2013/14, o Brasil aumentou em 7,4% a superfície plantada com soja, no comparativo com o ano anterior, explorando 29,8 milhões de hectares. Nos EUA, as projeções apontam para uma área de 33 milhões de hectares, o que resultaria em uma colheita recorde ao redor de 100 milhões de toneladas.

DEMANDA
O contraponto dessa situação, segundo Lapolli, está no fato de que a demanda mundial por alimentos – em especial derivados de soja (farelo e óleo) – continua firme e em crescimento. Ele lembrou que a maior parte da população global já reside em centros urbanos, processo que se verifica, inclusive, na China, onde pelo menos metade dos habitantes já se mudou para as cidades.

"Mais gente deixando o campo significa mais demanda por comida", afirmou Lapolli, citando que só entre os chineses os volumes de consumo são altíssimos e qualquer aumento tem grande impacto na produção. Nos últimos seis anos, a China aumentou em 31% a demanda por óleos vegetais.

"Se os chineses aumentarem o consumo em apenas um litro de óleo de soja por habitante ao ano, já beneficiará países produtores como o Brasil", disse. A China importa atualmente mais de 70 milhões de toneladas de soja e derivados, e isto contribui para equilibrar o mercado e sustentar as cotações. Por outro lado, os estoques de soja nos Estados Unidos ainda são considerados baixos, fator que também ajuda a manter as cotações em níveis razoáveis.

Lapolli destacou, por fim, que a Ucrânia desponta como estratégica na oferta mundial de grãos. Apesar dos graves problemas internos pelos quais vem passando, o país é um importante produtor de grãos (milho e trigo) e tem potencial para se tornar também, em breve, um dos atores do concorrido mercado de soja, atualmente nas mãos de poucos – Estados Unidos, Brasil, Argentina e Paraguai.


Imagem ilustrativa da imagem ‘El Niño deve contribuir para maior oferta de soja’
João Lapolli, do Sicredi: a demanda global por alimentos deve manter o mercado equilibrado
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