A receita não é nenhuma novidade para quem está na terra e trabalha com ela: adubação adequada, escolha de boa semente, semeadura na hora certa, plantio direto e rotação de cultura. Foram essas as práticas que tornaram o londrinense Fernando Yokozawa Filho, 30 anos, o campeão nacional no rendimento da produção de milho, este ano, com 9,3 toneladas por hectare. O título foi concedido pela Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho).
Além do manejo adequado, outro destaque na recente carreira agrícola do produtor cerca de quatro anos é o fato de não ser proprietário e sim arrendatário de terras. Fernando é formado em agronomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e apesar de ser filho de agricultor, revela que não teve o apoio do pai na escolha profissional. Depois de formado ele montou uma empresa de consultoria e trabalhou em uma fábrica de adubos em Ponta Grossa, onde conheceu um de seus sócios, o também agrônomo Luiz Henrique Silvestre. A primeira empreitada foi o arrendamento de uma área de 27 hectares de frutas (nectarina, pêssego e goiaba), em Santo Antônio do Paraíso (62 km ao sul de Cornélio Procópio).
Em 2000, segundo ano dedicado à fruticultura, a geada derrubou a produtividade, estimada em 400 toneladas, para 10 toneladas. Com dívidas para quitar, eles resolveram investir em mais um cultivo contando com um empréstimo rural junto ao Banco do Brasil e ganharam um sócio, irmão de Fernando e administrador de empresas Mário Yokozawa. Juntos, eles cuidam de uma área de quase 500 hectares na região de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana), antes destinada a pastagem. A área de plantio é diversificada e a cada safra as culturas são alternadas: ''para garantir um rendimento além de manter o sistema produtivo'', justifica Fernando. Assim, além do milho, o trio obteve suscesso também na cultura de soja com um rendimento de 3,3 mil quilos e trigo com 3,1 mil quilos por hectare.
O milho, que Fernando considera uma cultura de alto risco, acabou se tornando uma boa opção de rendimento, além da contribuição que traz na composição da matéria orgânica e nutrientes do solo. ''Numa área de onde saiu o milho a produtividade da soja é 15% superior'', destaca. Mas no inverno, ao invés de investir no milho safrinha, ele optou pelo plantio de trigo, triticale e aveia preta. Este ano, Fernando e os sócios estão com mais um ''projeto piloto'', uma área de 15 hectares com aveia e azevém para pastoreio. ''É uma boa alternativa para manter o peso do gado, garantir o pasto no inverno e ainda usar as sobras como adubação'', explica o agrônomo.
Fernando conta que começa o preparo da terra com o uso da adubação verde, seguida da química, onde utiliza formulação de acordo com análise de solo. ''Nesta fase optamos por produtos com menor custo'', afirma. Depois disso, com a lavoura já instalada, o produtor faz uma aplicação complementar de cobertura. ''Cada cultivo aproveita o investimento feito na cultura anterior''.
Fernando não vê o recorde de produtividade alcançado como algo excepcional. ''Tem gente produzindo milho em quantidades até maiores que a nossa'', garante. O segredo do sucesso, ele insiste que está na aplicação prática de uma teoria prá lá de conhecida: rotação de cultura.

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