Efeitos distintos do Plano Real nas commodities
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O Brasil obteve nos últimos 15 anos relativa estabilidade com a implantação do Plano Real, mas os efeitos da moeda são sentidos de forma diferente nos setores da economia. Um mesmo ramo de atividade pode sentir os efeitos de maneira diversa. O agronegócio, por exemplo, cuja principal característica é a oscilação, registrou evolução distinta, dependendo do produto.
Um estudo realizado pelo economista Santo Pulcinelli Filho, do escritório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, em Cornélio Procópio, demonstra essas diferenças nas principais commodities agrícolas. Pulcinelli comparou os valores praticados no mercado interno no dia 1º de julho - aniversário do Real - com o valor corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) do período.
''Commodities agrícolas passam por oscilações de conjuntura, de clima, de estoques mundiais e locais. Por isso, a correção do valor não se limita a aplicação dos índices'', afirma. No estudo, o economista avaliou o comportamento de 12 produtos após o Real. Soja e milho dão ideia da movimentação do mercado interno e de commodities.
A soja, de acordo com o técnico, foi o produto que obteve correção mais próxima ao IGP-M do período. De 1º de julho de 1994 a 1º de julho de 2009, o índice foi de 306,4%. ''A soja foi a rainha das commodities'', resume Pulcinelli. Com a aplicação do índice, a saca da soja que tinha valor entre R$ 11,00 e R$ 11,50 passou a valer entre R$ 44,70 e R$ 46,74, valor praticamente igual ao que estava sendo praticado no mercado no dia 1º de julho deste ano - variação entre R$ 44,00 e R$ 46,00.
O milho, por sua vez, teve variação negativa. A aplicação do IGP-M elevaria o valor da saca, entre R$ 5,50 e R$ 5,80 em 1º de julho de 1994, para um valor entre R$ 22,35 e R$ 23,57 e 1º de julho deste ano. ''Porém, o valor praticado nesta data ficou entre R$ 16,20 e R$ 17,00'', afirma.
Estoques mundiais, consumo e clima estão entre as variantes que interferem no mercado das commodities agrícolas. No caso do milho, por exemplo, os estoques mundiais altos provocam queda nos preços, o que é sentido também no mercado interno. De acordo com o levantamento de Pulcinelli, nesta safra existem no mundo mais de 144 milhões de toneladas em estoque; no Brasil são mais de 9 milhões de toneladas (ver infográfico nesta página).
O milho ainda conta como desvantagem, o custo de produção. ''Neste ano o milho teve um custo de R$ 19,17 por saca e o valor recebido pelo produtor está por volta dos R$ 16,00, ou seja, a rentabilidade foi negativa'', diz Pulcinelli.
A soja tem rentabilidade garantida, os estoques estão num bom patamar e os problemas climáticas, que provocam queda na produção, acabam influenciando positivamente os ganhos, seja internamente ou no mercado futuro.


