Intempéries como a geada e a seca foram os fatores que mais desanimaram os produtores paranaenses neste início do processo de reestruturação do setor sucroalcooleiro. Segundo Joaquim Elias Carvalho Simão, produtor na região de Cambará (Norte Pioneiro), as perdas para esta safra já são esperadas. Em uma área de 200 hectares de plantio, o produtor não espera uma produção significativa neste ano. ''A geada que atingiu a nossa região no ano passado e a seca desse verão comprometeram a produtividade das plantas'', destaca.
Rogério Magno Baggio, produtor da região de Paraíso do Norte (Norte), já estima uma perda de 8% na produção devido à estiagem que atingiu a região no começo do ano. Nesta safra, o produtor espera colher 380 mil toneladas de cana. Mesmo com uma elevação de 4,4 para 4,5 mil hectares na área de plantio, o produtor explica que o volume deverá ser o mesmo do ano passado, por isso deve fechar a safra 2012/13 com deficit. ''Só neste ano, tivemos três fortes períodos de seca'', lamenta Baggio.
O produtor Luiz Henrique Ribeiro, de Florestópolis (Norte), estima colher nesta safra 70 toneladas de cana por hectare, 10 t a menos do que no ciclo 2011/12, em uma área de plantio que soma 250 hectares. Segundo Ribeiro, o que vem lhe garantindo uma certa rentabilidade na atividade é o bom retorno que o açúcar vem proporcionando aos produtores. ''No caso do etanol, o valor pago pelo produto está empatando com os custos de produção, por isso não está compensando focar no etanol'', destaca.
Para as cooperativas que atuam no setor, a situação também não está favorável. De acordo com o gerente da unidade Londrina da Cooperativa Mista de Adamantina (Camda), Juarez Campos de Souza, os canaviais estão tendo uma baixa produtividade e, além disso, os preços dos insumos estão cada vez mais elevados. Segundo Souza, a cooperativa atua há quatro anos no Paraná e já possui cerca de 200 colaboradores no Estado. O gerente da Camda ressalta que há uma baixa adesão às novas tecnologias, o que dificulta o processo. ''O Paraná necessita melhorar os seus canaviais'', sublinha.
Na região de Cambará, onde o produtor Joaquim Simão produz, o processo de renovação já começou. ''A boa rentabilidade que o açúcar vem nos proporcionando tem garantido verba para iniciarmos a reestruturação do setor'', garante ele. Simão acredita que a partir do ano que vem o setor sucroenergético vai se estabilizar. Isso, acrescenta ele, se o mercado continuar crescendo. (R.M.)

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