O uso de sementes geneticamente modificadas tem ganhado cada vez mais adeptos no Paraná. Atualmente, só a soja transgênica já corresponde por 85% da produção do Estado, mesmo índice registrado no uso da tecnologia em todo o Brasil. Nas lavouras de milho, a participação desses organismos é ainda maior, chegando a 87% com o uso da variedade Bt. A engenharia genética já é vista por boa parte dos produtores como positiva, principalmente no que se refere aos efeitos no aumento de produção, produtividade e qualidade de grãos, devido ao afastamento de ataques de algumas pragas e doenças. Além desses benefícios, os agricultores descobriram mais um motivo para adotar a tecnologia em suas propriedades: o bolso.
De acordo com uma pesquisa realizada entre os anos 2006 e 2010 pela consultoria Céleres, cujo objetivo era avaliar a rentabilidade do uso da engenharia genética na produção agrícola, para cada R$ 1 investido em tecnologia na cultura da soja, o produtor recebeu um retorno de R$ 1,59. Jorge Attie, um dos principais colaboradores da pesquisa, revela que esse resultado foi baseado em dados que verificaram uma redução dos custos de produção e também a elevação da produtividade das lavouras que utilizaram transgênicos. Também foi constatado a diminuição no uso de defensivos agrícolas. Attie conta que foram coletadas amostras de várias regiões do País, incluindo o Paraná.
No caso do milho, o resultado da pesquisa apontou que para cada R$ 1 investido, o produtor obteve um retorno de até R$ 2,61. O especialista explica que a rentabilidade do milho é maior porque sua modificação genética age diretamente nos agentes causadores de perdas, principalmente aos ataques da largata do cartucho. Além da redução de insetos, Attie comenta que a economia em defensivos também favoreceu o rendimento do produtor. No caso do algodão, a pesquisa verificou um resultado ainda mais surpreendente: para cada real investido, o retorno ao produtor foi de R$ 3,59, novamente motivado pela alta produtividade. Os investimentos de que fala a pesquisa estão relacionados basicamente à compra de sementes e mudas com novas tecnologia.
Alvadi Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja, afirma que os organismos geneticamente modificados já são uma realidade consolidada no País. Segundo o pesquisador, esses materiais entraram no Brasil por volta do ano 2000, pelo Rio Grande do Sul, trazidos clandestinamente da Argentina, pois na época a tecnologia ainda não havia sido liberada no País. Balbinot Junior afirma que os transgênicos foram inseridos em diversas culturas, mas ganhou notoriedade na lavoura de soja, devido à tolerância ao glifosato, principal defensivo utilizado para controle de ervas daninhas. Os agricultores começaram a plantar e gradativamente a tecnologia começou a migrar para os estados do Norte, Sul (Santa Catarina e Paraná), Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Balbinot Junior sublinha que os organismos geneticamente modificados facilitaram o manejo da cultura da soja por causa do controle de ervas daninhas. ''O produto tem alta eficiência e não causa toxidade na soja RR'', enfatiza. De acordo com o pesquisador, com a amplição do uso dessa tecnologia o produtor reduziu o trabalho que teria no trato com a lavoura, diminuindo, por exemplo, o número de pulverizações.
No campo
Wilson Wentz, produtor da região de Londrina, viu na adoção de materiais transgênicos uma nova maneira de produzir mais e melhor. Dos 90 hectares de milho plantado nesta safrinha, 90% são com sementes transgênicas. ''Os outros 10% direcionei para a área de refúgio''. O produtor conta que desde que adotou o milho geneticamente modificado ganhou muito em produtividade. Só para se ter uma ideia, sua rentabilidade só na segunda safra de 2011 foi de 100 sacas por hectare. ''Quando não adotava essa tecnologia, colhia em torno de 20 sc/ha'', comemora.

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