Os 22 assentamentos existentes na região Noroeste do Paraná estão mudando o perfil econômico de municípios que dependem quase que exclusivamente da agropecuária. No entanto, as áreas desapropriadas em favor de agricultores sem-terra ficam com a exploração limitada, sem um processo de educação dos assentados. ‘‘Queremos mostrar que a educação é tão importante quanto os insumos para a produção agrícola’’, explica o professor Jorge Ulises Guerra Villalobos, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Coordenador do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) na UEM, Villalobos defendeu a manutenção do projeto de alfabetização dentro dos assentamentos durante o 1º Seminário Internacional Educação na Reforma Agrária, que terminou ontem em Maringá. ‘‘O governo federal tem recursos para a continuidade do programa, aguardamos o Incra negociar a situação na região’’, explica. Ele lembra que em outras regiões, já está definida a continuidade do programa.
O Pronera tem cerca de R$ 21 milhões da União para todo país, para manter o trabalho de alfabetização. Até agora, no entanto, apenas R$ 16 milhões foram aplicados. Villalobos explica que sem a liberação de novos recursos, o que depende de aprovação do Incra, os assentados da região podem perder o benefício. ‘‘O que é um absurdo’’, desabafa. Ele lembra que nos 22 assentamentos assistidos no Noroeste, mais de mil adultos foram alfabetizados.
A mudança de perfil do assentado, na opinião do professor, está inclusive dentro do projeto de desenvolvimento da região de arenito caiuá. ‘‘ Este trabalho tem o apoio total do governo estadual’’, lembra. Villalobos acha que com a experiência profissional, recursos disponíveis e alfabetizado, o assentado tema muito mais condições de contribuir para o desenvolvimento regional. ‘‘Hoje já existe uma mudança de perfil no campo graças aos poucos projetos que atendem a reforma agrária’’, diz.
O Pronera luta também para mudar o perfil do homem do campo. Hoje, segundo dados do programa, 75% da população rural é analfabeta. Média que se repete dentro dos assentamentos ainda não trabalhados. Alfabetizando o trabalhador rural, diz Villalobos, será possível adotar novas tecnologias com mais facilidade. ‘‘Apenas na região Noroeste temos mais 800 assentados aguardando a continuidade do projeto’’, revela.
O objetivo final, lembra ele, é apenas o de melhorar a renda do homem do campo. Segundo Villalobos, nas áreas assistidas pelo Pronera já existe outra mentalidade. Os agricultores estão mais receptivos a novidades do setor, tem mais interesse em conhecer o que existe de tecnologia que resulte em melhor produtividade. ‘‘Alfabetizando o trabalhador rural vamos segurar o homem no campo e melhorar a qualidade de vida não apenas na zona rural mas também nas cidades’’, garante.

mockup