O conselho de um economista para os agricultores neste momento não é nada diferente do conselho dado pela maioria dos técnicos. Nada de reduzir tecnologia para reduzir custos.
  ‘‘Ao produtor compete plantar dentro das técnicas visando lucro; não dá para parar’’, afirma o professor e agricultor Ismael Mologni, de Londrina. Como os engenheiros agrônomos, o economista também orienta para a manutenção do uso da tecnologia. ‘‘Economia com insumos influi diretamente na queda da produtividade e, por conseqüência na renda’’, alerta.
  O preço da soja no mercado de Chicago, na avaliação do economista, é bom. A taxa cambial, que reflete de forma negativa nessa conta, segundo ele, deve melhorar até o período de colheita. ‘‘A política cambial adotada pelo governo é insustentável. Juros reais nos níveis atuais vão promover, num curto prazo, conseqüências inevitáveis: a maxidesvalorização do real ou a decretação de uma moratória’’. Como a hipótese de moratória, no momento é quase descartada, certamente a hipótese de uma máxi é mais provável. Por isso, Mologni reforça a orientação técnica de racionalizar a produção sim, mas deixar de usar um bom fertilizante, não. ‘‘A orientação agronômica é a principal aliada’’, diz o economista.
Além do fator cambial, há outra possibilidade de o mercado passar a promissor. Por exemplo: Mologni aposta ainda numa maior demanda do produto no mercado internacioanl levando em conta a queda na oferta da safra brasileira do ano passado e na safra americana deste ano, também devido à seca enfrentada pelas regiões produtoras de Minnesota e Iowa.
  Mologni classifica como ‘‘suicida’’ a atual política cambial. O dinheiro do superávit primário está sendo levado para pagar juros e manter aqui os investidores estrangeiros.
  Essa situação, segundo o economista, não é um erro exclusivo do governo Lula, mas de uma sucessão de erros econômicos desde o Plano Real e os quatro anos de congelamento da moeda. ‘‘O governo age assim não por maldade, mas por incompetência em gerenciar os recursos macroeconômicos’’, alfineta. Mologni continua dizendo que falta ‘‘astúcia acadêmica’’ para propor um entendimento, um pacto político. ‘‘O governo não tem a credibilidade que essa negociação exige’’, finaliza. (C.G)

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