ECONOMIA TRAVADA - PIB agrícola também não cresceu
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sexta-feira, 02 de março de 2007
Da Redação e agências 
A imprensa divulgou esta semana os números do desempenho da economia brasileira no ano passado. Praticamente não houve crescimento (2,9%), num período em que a economia mundial cresceu muito. Despontaram alguns países como Argentina
(mais de 8%), Venezuela (7,9%) e a China 10%. Como toda a economia, o agronegócio também não cresceu praticamente nada.
O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, contestou o crescimento de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária apontado pelo IBGE. A agropecuária não cresceu e, sim, perdeu 2% em 2006, disse. Segundo ele, os cálculos utilizados pelo IBGE não levaram em consideração os preços correntes pagos em 2006, mas os preços constantes do ano anterior.
Tivemos uma queda de 5% nos preços médios pagos ao produtor e os reflexos só não foram mais negativos porque a produção física no campo cresceu de 2% a 3%. Segundo ele, a queda de renda do produtor, afetado por uma seqüência de safras ruins e de preços baixos, afetou o desempenho da agropecuária em 2006. Infelizmente, desta vez não contribuímos para o crescimento do PIB brasileiro.
Para este ano, a expectativa é mais positiva. Ele prevê um crescimento de 5% na produção de grãos e de 3% na de leite, carne e ovos. Vamos ter uma safra recorde e tudo indica que os preços serão melhores. Para o pesquisador Geraldo SantAna de Camargo Barros, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da Universidade de São Paulo, o agronegócio continua salvando a lavoura da economia. A confirmação de um crescimento muito pequeno no PIB indica uma virada concreta do setor depois de um longo período no vermelho. Muito pequeno, é verdade, mas que insinua uma recuperação que pode se estender para o ano de 2007.
O setor agrícola, segundo Barros, foi responsável pelo agronegócio ficar no azul, já que a pecuária continua em queda, embora um pouco menos acentuada. Dentro da porteira, a agricultura está reagindo, mas a pecuária não, analisou. O presidente da Cooperativa Agroindustrial Cocamar, Luiz Loureço, acredita que a contribuição do agronegócio para o PIB será mais significativa este ano. O ano passado, segundo ele, não teve nada de bom. A crise de 2005 persistiu e ainda persiste em algumas regiões. O dólar baixo atrapalhou bastante, mas a produtividade também caiu.
Ele considerou horrorosos os dois primeiros trimestres do ano passado. Houve melhora a partir de julho, mas só sentida no final do ano. Agora, com a safra de verão sem problemas e os preços em recuperação, estamos animados. Ele acredita que os produtores terão condições de pagar as dívidas renegociadas em anos anteriores e renda para melhorar a produção. A demanda pelo biocombustível está criando uma estrutura nova no mercado e dá ao produtor a garantia de que haverá liquidez.
O fato é que muitos líderes desconversam, não querem criticar o governo. Mas faltou uma política de apoio (não de favores) para minimizar os efeitos do clima. A questão cambial é um problema de governo sim, porque é o Banco Central que estabelece as diretrizes para a política econômica no campo monetário. Na verdade para as instituições, mesmo aquelas que representam os produtores, está tudo bem. Quem vai mal é o agricultor individual. Os balanços de cooperativas, empresas privadas e principalmente dos órgãos de governo ainda são festejados.
Esperança em 2007
O Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção de bens e a riqueza dos brasileiros, cresceu apenas 2,9% no ano passado, num ano em que as condições da economia mundial favoreceriam um crescimento bem maior. O resultado superou um pouco as estimativas de mercado, que indicavam avanço de 2,7%. Foi influenciado pelo crescimento do consumo das famílias (3,8%) e do investimento (6,3%) e puxado pelo desempenho do quarto trimestre.
A recuperação no fim do ano deverá gerar um efeito positivo sobre 2007, mas ainda não garante o crescimento de 4,5% a 5%, conforme esperado pelo governo. As projeções são de aumento do PIB entre 3,5% a 4% para este ano.
Com a taxa de 2006, o crescimento médio do PIB brasileiro foi de 2,6% no governo Lula, idêntica à do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso e superior aos 2,1% do segundo. Nos últimos quatro anos, contudo, aumentou a diferença entre o crescimento brasileiro e o da economia mundial.


