Apesar dos preços de comercialização dos orgânicos serem, em média, 30% maior que os produtos convencionais, os autores do livro "Alimentos Orgânicos no Brasil – História, Cultura e Gastronomia" salientam durante a obra que, mais do que buscar um incremento nos valores de comercialização, o agricultor precisa querer fazer parte deste novo sistema, já que se trata de uma mudança de vida. "O orgânico não é salvação para ninguém, não é só porque está na moda que o produtor vai passar para o sistema e ganhar dinheiro", comenta o jornalista Rafael Moro Martins, um dos autores da publicação.
O jornalista Eduardo Sganzerla, idealizador do livro, relata que ouviu de um dos seus entrevistados a seguinte frase: "Para ser um bom produtor de orgânicos é preciso primeiro ser um bom produtor no método convencional".
Em Uraí, no Norte do Paraná, boa parte dos produtores está certificada e conseguindo trabalhar efetivamente com os orgânicos. Muitos agricultores possuem uma parceria com a empresa Rio de Una, de São José dos Pinhais, vendendo as mais variadas hortaliças e frutas. "Mais do que apenas um sistema, plantar orgânicos é uma filosofia de vida, o produtor precisa querer", salienta o técnico extensionista da Emater de Uraí, José Parecido Baptista.
Ele cita um exemplo real que acontece que os agricultores da cidade. Como há muita soja na região, é natural que em algumas épocas do ano os percevejos que atacam a oleaginosa migrem para o tomate orgânico. O problema é que não existe produtos que possam ser utilizados para acabar com a praga. "O produtor precisa pegar o inseto com a mão, pela manhã. Isso mostra uma das dificuldades que ele enfrenta na produção sem utilizar agrotóxicos."
Na região de Uraí, entre 2008 e 2012 o salto de produtores certificados foi de 8 para 36. "Agora a procura diminuiu, poucos estão procurando ingressar no sistema", relata Baptista. (V.L.)

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