Há 54 anos, Miguel Makiyama descobriu, sem querer, uma nova variedade de abacate, capaz de florescer fora de época, garantindo produção o ano inteiro. O novo fruto, mais arrendondado e de colorido amarelo-esverdeado, foi batizado de Margarida, em homenagem a esposa do agricultor.
A vantagem desta variedade está em atender mercados que antes não eram explorados. ''A procura pela fruta foi tanta, que resolvi estudar esta nova variedade e ampliar a produção'', contou.
Segundo Makiyama, a colheita do abacate de modo geral acontecia uma vez por ano, entre os meses de maio e agosto e com a descoberta da Margarida, o processo estendeu-se de março a outubro, alterando também o valor comercial da fruta.
''O quilo do abacate pode ser vendido de R$ 0,15 a R$ 0,35 até outubro. Já os produtores de São Gotardo (MG) conseguem R$ 0,50 pelo quilo, pois comercializam a fruta em dezembro, quando ela é escassa no mercado''.
O diferencial está na pouca oferta do produto naquele período. A variedade Margarida também pode proporcionar essa vantagem. Na região de Arapongas, a fruta pode ser encontrada até o mês de outubro, enquanto em Minas, devido ao clima mais quente e o plantio tardio, a produção de abacate adentra os meses de novembro e dezembro, mantendo a regularidade no mercado e reduzindo o período sazonal. O consumidor também ganha com a fruta da época.
Além de excelente para consumo in natura, o abacate é matéria-prima para a indústria de produtos de beleza. O maior consumo ocorre de maneira simples, nas vitaminas, principalmente. Tem alto teor de graxa e é rico em vitaminas.
Toneladas/pé - No auge da produção, cada abacateiro pode fornecer até uma tonelada de fruta. Entretanto, a produtividade varia de acordo com o tipo de variedade plantada e a qualidade da terra. Além disso, as pragas broca do fruto e gomose podem comprometer a produção. A primeira é causada por uma larva de 15 mm e coloração branca ou esverdeada, que penetra no fruto, causando a queda do mesmo. A segunda ocorre em consequência de um fungo que ataca a raiz do abacateiro, acarretando a morte progressiva da planta.
Segundo a agrônoma da Emater de Arapongas, Luciana Seyr, o Paraná conta, hoje, com 647 produtores de abacate, que ocupam uma área de 2.037 ha. Em 2003, a produtividade foi de 10 ton/ha.
Arapongas (37 km a oeste de Londrina) possui 160 ha destinados a produção de abacate. O sítio de Makiyama, localizado na Colônia Esperança, conta com 700 abacateiros. Entre as 18 variedades cultivadas, a Margarida é líder disparada.
''Toda a produção é vendida às Centrais de Abastecimento (Ceasa) de Curitiba, Porto Alegre e São Paulo'', informa o agricultor, que produziu 99 toneladas da fruta no ano passado e espera alcançar 250 toneladas este ano.
A preferência nacional é por frutos mais amarelados, lisos e compridos, como a variedade Manteiga. Entretanto, o sucesso da variedade Margarida está no fato de ser colhida fora de época.
''Frutos mais escuros são considerados de segunda classe no Brasil e perdem até 50% do valor de venda'', explicou o produtor. Ele afirma que estes abacates, com cerca de 300 gramas e coloração verde escuro, às vezes roxo, são destinados à exportação e podem ser vendidos a até R$ 15 a caixa com quatro quilos.
No Brasil, são cultivadas as variedades antilhana e guatemalteca. Uma muda de abacate é vendida por até R$ 2 e leva quatro anos para dar os primeiros frutos. Makiyama ensina que não é preciso derrubar uma árvore e plantar uma nova para revitalizar a plantação. ''Basta cortar parte do tronco, que novos ramos irão se desenvolver e formar árvores mais novas''. Essa reforma reduz a floração para dois anos e possibilita que uma mesma árvore produza diferentes variedades de abacate.

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