Com a chegada da primavera e o florescer das plantas, os campos paranaenses ganham mais cores e perfumes. O cultivo de flores no Estado ainda não é expressivo, mas alguns municípios já se tornaram polos produtores. Apucarana, Uniflor, Marialva e Maripá concentram a produção de crisântemos, orquídeas e rosas, as principais flores cultivadas no Paraná.
A família Metta tem tradição de quase 50 anos na atividade e já se tornou referência em Apucarana, Norte do Estado. O patriarca, Ildefonso Metta, abandonou a profissão de mecânico de tratores após se encantar com o cultivo de rosas. A produção, que começou com três mudas no quintal, se expandiu e hoje é também a rotina dos seis filhos. Sergio Henrique Metta ressalta a iniciativa do pai, que ''arriscou e deu sorte'', aprendendo a lidar com a cultura à medida que surgiam as adversidades na lavoura e na comercialização.
Atualmente, os irmãos produzem gérbera de corte, girassol de corte, sempre-viva, tango, ásper, rosa, crisântemo de corte e de vaso, boca-de-leão, entre outras flores, em uma área de 35 mil metros quadrados de estufas e cerca de seis hectares de campo. ''Hoje vendemos para toda a região Norte, em rede de supermercados, funerárias e floriculturas, tanto no atacado como no varejo'', relata Sérgio. Mas a procura aumenta em datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Finados e no final do ano, quando a produção é comercializada em todo o Estado e até em Dourados (MS). Segundo ele, apesar da dificuldade para a comercialização de flores no Paraná, o longo período de atuação já resultou em um público consumidor cativo para a família.
Para a lida diária com as flores, além do envolvimento de toda a família, são necessários ainda 15 funcionários. Dentre os desafios existentes para a atividade no Estado, Sergio aponta a falta de mão de obra qualificada e de assistência técnica capacitada na área de floricultura. Em contrapartida, a expansão do consumo de flores no País, que começa a se tornar um hábito nos lares brasileiros, traz expectativas positivas para os irmãos Metta. ''Aprendemos com meu pai que é preciso manter sempre a qualidade do produto'', salienta.
Segundo o técnico extensionista do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), João Carmo da Fonseca, o município de Apucarana possui cerca de 40 mil metros quadrados de estufas com produção de flores. ''Para produzir flor é preciso dominar a tecnologia e o mercado'', orienta. Ildefonso Metta Junior lembra da necessidade de investir na aplicação constante de fungicidas e inseticidas para garantir a qualidade das plantas. ''Como não fazemos rotação de culturas na mesma área, o controle sanitário é mais complicado'', afirma.
Falta de crédito
A Associação de Produtores de Flores do Norte e Noroeste do Paraná (Aflonorpa) reúne cerca de 60 floricultores. Desse total, 90% produz em estufas para evitar os riscos climáticos e as doenças. A presidente da Aflonorpa, Rosângela Takemura, critica a falta de linhas de crédito para financiar a implantação e investimentos em floricultura no Estado.
Rosângela concentra sua produção em crisântemo, mini crisântemo, rosa, rosa do deserto, begônia, pata-de-elefante, orquídea e kalanchoe, em aproximadamente 10 mil metros quadrados de estufas. Com experiência de quem nasceu em uma família produtora de flores, Rosângela relata que a dedicação necessária ao cultivo de flores é similar à olericultura, pois também exige esforço diário. ''Ver um vaso florido dá satisfação e compensa todo o trabalho'', comenta.

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