Marcos BorgesTrigoO pesquisador Dionísio Brunetta reforça a importância do trigo como opção de inverno no ParanáO produtor paranaense que optar pelo plantio de trigo no inverno tem à sua disposição novas cultivares de qualidade superior, e para se tornar competitivo deve estar atento ao desenvolvimento da cultura, para reduzir os custos de produção.
O pesquisador Dionísio Brunetta, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), afirma que os custos para plantio na Região Norte do Estado podem ser menores, e alcançar boas produtividades. Os dois itens (sementes e fertilizantes) que mais oneram, devem ser racionalizados.
A preocupação com a competitividade da produção do trigo nacional foi um dos principais assuntos da 13ª Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de trigo, realizada de 3 a 6 de fevereiro em Ponta Grossa. Esta reunião, que acontece anualmente, tem o objetivo de debater os resultados de pesquisa, atualização e recomendação para safra.
Novas cultivaresA pesquisa está recomendando duas novas cultivares de qualidade superior, para as regiões Norte e Oeste do Estado: a Coodetec 101 e Manitoba 97. ‘‘O valor do trigo está ligado diretamente a sua qualidade para aproveitamento na industrialização do grão’’, diz Brunetta.
Além destas duas novas cultivares, foi estendida a recomendação da cultivar Iapar 53 para o Sul do Estado, passando desta forma a ser recomendada para todas as regiões do Paraná.
Seis cultivares: Iapar 46, Ocepar 10-Garça, Ocepar 14, Ocepar 15, Ocepar 18 e Panda, foram retiradas de recomendação. Para a safra 97, no Paraná, estão recomendadas 33 variedades de trigo, 93% destas classificads como de qualidade superior.
As sementes e os fertilizantes são os responsáveis pelo alto custo de produção do trigo. Enquanto na Argentina gasta-se 100 dólares para produzir uma tonelada, no Brasil gastam-se de 130 a 140 dólares para a mesma produção. Para evitar estes custos o pesquisador recomenda ao produtor o uso de sementes em menor quantidade, e evitar as aplicações preventivas. ‘‘A grande maioria das áreas cultivadas não necessita mais do que uma aplicação para controle de pragas ou doenças, principalmente no Norte do Estado, onde o inverno é mais seco’’, diz Brunetta.
Na adubação, o melhor resultado é alcançado se os principais elementos nutritivos, como o nitrogênio, o fósforo e o potássio forem repostos em níveis mínimos para se alcançar as produtividades esperadas.
Germinação na espigaNas regiões Sudoeste e Centro-Sul, e parte da Região Oeste do Estado, o trigo é semeado mais tarde, para escapar dos prejuízos causados pelas geadas. Desta maneira, a colheita se realiza em período mais sujeito às chuvas da primavera.
Segundo Dionisio Brunetta, a pesquisa tem buscado desenvolver cultivares com maior tolerância à germinação na espiga. ‘‘Após a privatização da compra do trigo, a tolerância à germinação na espiga ganhou importância, devido a sua interferência direta na qualidade do produto’’, comenta Brunetta.
Esta característica deve ser levada em conta na escolha de cultivares a serem semaeadas em regiões sujeitas à chuva na colheita. Hoje já existem diversas cultivares com bons níveis de tolerância a este problema. As cultivares lançadas para cultivo em 96, a Iapar 78 e OR 1 e a cultivar Coodetec 101, recomendada a partir deste ano apresentam esta característica.
O pesquisador informou que a produtividade das lavouras de trigo em 96, nas regiões Oeste e Centro-Sul, representaram recordes históricos. ‘‘Estes resultados foram proporcionados pelas boas condições climáticas, mas principalmente pela competência dos agricultores que resolveram investir na cultura’’, destacou Brunetta.
ZoneamentoOs pesquisadores discutiram também a questão do zoneamento agrícola para o trigo. Para a safra 97, a recomendação de cultivares nas diferentes zonas trtícolas foi aperfeiçoada. Ampliou-se a área considerada apta para o cultivo de variedades moderadamente sensíveis, ou moderadamente tolerantes ao alumínio, eliminando-se a exigência de amostragem de solo até 60 cm de profundidade. Apenas em áreas onde serão semeadas cultivares sensíveis ao alumínio há necessidade de se retirar amostra até 40 cm de profundidade.
O zoneamento agrícola também foi reestruturado. Foram enviados ao Ministério da Agricultura, em novembro do ano passado, estudos sugerindo a ampliação da época de plantio em alguns municípios. Segundo Brunetta, muitos deixaram de plantar na safra passada, porque a seca impediu o plantio dentro da época recomendada.

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