É preciso gerenciar custos
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sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Pessimismo, aumento da oferta de animais e das exportações, baixo consumo no mercado interno e externo, insumos mais caros e falta de informação sobre o estoque do gado. Todos estes fatores combinados à desvalorização do dólar frente ao real têm contribuido para a crise na pecuária brasileira.
Para o agropecuarista José Eduardo de Andrade Vieira, ex-senador, ex-ministro da Indústria e Comércio no governo Itamar Franco e ex-ministro da Agricultura no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o atual preço da arroba do boi praticado em dólar não compromete a atividade. ''O dólar caiu, mas o preço dos insumos não. Essa soma de fatores é que complica a vida do pecuarista'', diz.
O consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, de São Paulo (SP), explica que o boi responde diretamente ao dólar. Além da carne, o preço do couro também é bastante influenciado pela moeda norte-americana. ''O couro é o segundo produto derivado do boi mais importante para os frigoríficos'', afirma.
Segundo Rosa, pelas regras de mercado, quando o dólar cai, o preço da arroba sobe. No entanto, completa o consultor, os frigoríficos derrubam o preço do boi em reais para minimizar as perdas e quanto mais o dólar cai, mais o produtor sofre. ''O real supervalorizado não ajuda ninguém'', pondera.
Para o consultor, o atual preço da arroba - em torno de US$ 23 - é o mais alto desde agosto de 2000. ''Mas este valor convertido em reais é o mais baixo da história'', assinala Rosa.
O consultor José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, acredita na influência do dólar sobre os preços, mas defende que o aumento da oferta ainda é o fator principal para a crise da pecuária nacional. ''A atividade vive de ciclos e quando os animais que estão sendo abatidos começarem a fazer falta, os produtores irão recuar, diminuindo a oferta'', aponta.
De acordo com Ferraz, ao deixar de abater matrizes, o pecuarista automaticamente irá raciocinar com base na leis de mercado: se a oferta diminui, os preços sobem. ''Não dá para prever quando o ciclo irá se reverter, mas há expectativa de picos de preço em novembro deste ano'', anuncia o consultor.
Para Fabiano Rosa, a gestão dos custos e a busca por novas estratégias de comercialização poderão dar gás aos produtores. ''Enquanto os frigoríficos são profissionais e usam a bolsa de valores para garantir preços, os pecuaristas são mais suscetíveis às oscilações do mercado e precisam administrar melhor a atividade'', analisa.
''A queda do dólar não justifica tamanha redução no preço pago pelo boi gordo'', declara Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ele alerta que sem dinheiro para investir no rebanho e em sua propriedade, o criador de gado está aumentando gradativamente o abate de matrizes, como última alternativa para obter dinheiro.
José Eduardo discorda. Para ele, não há espaço físico para a expansão pecuária, que deverá continuar com uma média anual de abate de matrizes superior a 30%. Para efeito de comparação, em 2000, a média de abate de fêmeas era de 26%. O índice caiu para 22,7% em 2001 e depois aumentou ano a ano; chegando a 24% em 2002; 31%, em 2003; 34%, em 2004; e beirando 40%, no primeiro trimestre de 2005.


