É preciso caprichar
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sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Os organizadores esperavam uma participação maior dos cafeicultores, mas ficaram surpresos com o resultado do 1º Concurso Café Qualidade da região de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana). Das 16 amostras inscritas, cinco apresentaram qualidade tipo exportação e devem participar de uma seleção, em Londrina, que irá definir os concorrentes da etapa estadual do concurso.
Por ser uma região propícia ao cultivo do café - a altitude prolonga os períodos de floração e maturação que resultam em cafés mais encorpados e aromáticos -, o capricho dos cafeicultores fez a diferença. ''Mesmo em um ano com condições climáticas desfavoráveis, eles conseguiram bons resultados'', ressaltou Nelson Menoli, agrônomo da Emater local. Para ele, a dedicação dos produtores é só o que falta para o Paraná voltar a produzir um café de qualidade como o de Minas Gerais e São Paulo.
O produtor Adão Santo Daré concorda. ''Falta vontade de melhorar e sem ajuda da assistência técnica, o produtor perde em todos os sentidos'', afirmou. Daré cultiva 14 hectares de café em Grandes Rios em parceria com o filho, Ademir Daré e o genro, Vanildo Fernandes. A bebida produzida por Ademir classificou-se em primeiro lugar, enquanto o café de Fernandes obteve a terceira colocação no concurso regional.
O segredo, segundo o cafeicultor, é trabalhar o terreirão 24 horas por dia. ''É importante movimentar sempre o café, faça chuva ou faça sol, para ele não esquentar'', explicou. Na última safra, Daré realizou a colheita no pano e mexeu o café no terreirão a cada 20 minutos. Resultado: das 400 sacas armazenadas na tulha, 100 contém bebidas tipo exportação.
A produtividade no sítio de Daré também foi superior às médias estadual (14 sacas/ha) e nacional (20 sacas/ha): 45 sacas/ha. A razão é a tecnificação. ''Quem aceita a tecnologia produz mais e com qualidade'', alertou Menoli.
Propaganda De acordo com o agrônomo da Emater de Cruzmaltina (86 km ao sul de Apucarana) Sidnei Fagundes Guerra, no Paraná, falta marketing ao café bom. Os produtores não estão sabendo aproveitar as oportunidades de negócio e os concursos podem servir de estímulo para a busca da qualidade. ''Nenhum estado consegue produzir um café duro como o do Paraná, com a fava vistosa e o grão encorpado e de aroma acentuado'', lembrou.
Hoje, apenas 30% dos cafeicultores da região de Grandes Rios procuram a qualidade extra dos grãos. ''É preciso divulgar os resultados positivos para que os produtores menos tecnificados vejam que é possível agregar valor ao produto sem gastar dinheiro'', concluiu Guerra.


