'É preciso avaliar a tecnologia em cada cenário'
Apostando num portfólio variado, a Embrapa Soja levou ao BelaSafra uma variedade de soja convencional, três da primeira geração de transgênicos (RR1) e ainda os lançamentos da tecnologia Intacta (RR2), que combina resistência ao herbicida glifosato para manejo de plantas daninhas e resistência à toxina Bacillus thuringiensis (Bt), que auxilia no controle de algumas espécies de lagartas.
Os materiais chamados BRS 1001IPRO e BRS 1010IPRO, com a tecnologia Intacta, são muito procurados pelos agricultores de modo geral, por isso a Embrapa resolveu apresentá-los no dia de campo.
"Batemos também na tecla que o agricultor precisa se preocupar com o refúgio e o manejo integrado de pragas para que essa tecnologia permaneça bastante tempo no mercado. Quem planta soja Intacta, precisa deixar uma área de 20% de refúgio, fazendo o manejo com um grupo de fungicidas que não tenha o Bt, para evitar quebra de resistência das pragas", explicou a pesquisadora da Embrapa Soja, Divania Lima.
Bem diferente do mercado dos transgênicos, outro material já conhecido da instituição, o BRS 284, é a cultivar convencional mais plantada na região Centro-Sul do País, já que é extremamente produtiva e premiada em concursos, atingindo uma média de cinco toneladas por hectare. "Nos últimos quatro anos, a soja convencional teve uma procura muito grande no mercado europeu, refletindo em nosso mercado. Nós ainda temos entre 15% e 20% da soja convencional no campo. No ano passado, o preço dela foi bonificado em torno de R$ 4 a R$ 5 na saca, o que torna uma atividade bastante atrativa", comparou Divania.
A pesquisadora aconselha que o produtor conheça bem sua região antes de apostar em tecnologias que podem não ter muita eficiência, dependendo do problema. Por exemplo, investir numa soja RR2 se a propriedade não possui situações graves com lagartas. "Produtor deve sentar, ver o que ocorre na propriedade dele e calcular o custo de produção. Se ele não tem muito problema com lagartas, ele pode muito bem trabalhar com a RR1 ou convencional e ter excelentes rentabilidades, por exemplo. Se por outro lado há muitos problemas de lagartas e é preciso fazer muitas aplicações, talvez o custo benefício seja interessante com a RR2. É preciso avaliar a melhor tecnologia para cada cenário. O que é novo, geralmente é mais caro", completou Divania.
Outro assunto colocado na pauta da empresa foi a nutrição das plantas. Durante o BelaSafra, os pesquisadores da Embrapa falaram sobre a influência do potássio na produtividade da soja. Segundo o pesquisador Cesar de Castro, tem sido frequente o aparecimento de sintomas de deficiência de potássio em lavouras de soja, caracterizados por uma clorose (falta de nutrientes) nas folhas superiores da planta. (V.L.)





