Começa mais uma safra. Toneladas de herbicidas, fungicidas e inseticidas são despejados para defender a planta. Mas há desperdícios, aumento do custo e poluição. Os técnicos querem evitar que isso continue acontecendo. É possível reduzir o uso de produtos sem perder a eficácia do tratamento. Uma simples regulagem dos bicos pulverizadores representa economia de centenas, milhares de litros de agrotóxicos.
O Paraná intensificou esta semana o plantio de mais uma safra de soja. Daqui para frente serão três a quatro aplicações de defensivos. Duas de herbicida e, pelo menos, uma de inseticida e mais uma de fungicida.
O Centro Nacional da Soja, da Embrapa, e a Emater-PR, estão dando mais ênfase este ano ao uso dos métodos de controle. Embora o produtor de soja utilize um bom nível de tecnologia, são frequentes erros como falta de ajuste de bicos pulverizadores e outras medidas de rotina.
Em entrevista à Folha Rural, o engenheiro agrônomo Fernando Adegas, da Emater, que atua junto à Embrapa, observa que o uso correto de produtos químicos não depende apenas da regulagem.
É importante que o operador de máquinas conheça os mecanismos que interferem na aplicação. Na regulagem dos pulverizadores é preciso saber que tamanho de gota ele vai precisar para determinado tratamento.
''Jogar veneno todos jogam -observa o técnico - mas, às vezes, pode estar havendo desperdício, que resulta em poluição e aumento de custo. Mas às vezes ocorrem derivas porque estamos fazendo uma gota muito pequena'', pondera.
Para a boa aplicação concorrem outros fatores: umidade relativa do ar, temperatura, velocidade do vento. Atitudes elementares, simples, são determinantes, como horário da aplicação. Alguns pontos são básicos como não aplicar no horário de sol muito quente em que o calor é forte.
''Gostaria que o agricultor desse mais importância ao bico'', sugere Fernando. Segundo ele, o bico não é tudo. Mas uma boa aplicação começa pela calibragem adequada.
O técnico também pondera que as condições variam em cada região, mas no geral, os melhores horários para aplicar são até às 9 horas ou à tarde, após às 18 horas.
O Paraná, nos últimos anos, melhorou muito as técnicas de aplicação de defensivos. O agricultor do Paraná, com certeza, está na vanguarda. É o que melhor utiliza a tecnologia disponível, é o mais consciente com relação às questões ambientais. É também, provavelmente, o que pode dispor de melhor equipamento. E melhor domínio dos conhecimentos. Mas ainda há falhas.
Para o agrônomo, o bom nível de conhecimento do agricultor paranaense deve ser atribuído à enorme gama de conhecimentos colocados à disposição dele. São cursos, dias de campo, palestras e publicações.
O pesquisador da Embrapa Soja, Alexandre Brighenti, alerta para o manuseio
correto do pulverizador e para a utilização de água limpa usada na mistura com o produto químico, o que garante uma aplicação de qualidade.
''Antes de qualquer aplicação, é preciso conhecer o funcionamento do
pulverizador e fazer os ajustes necessários. A barra de pulverização
contém alguns filtros que devem ser limpos a cada aplicação. A adequação
de filtros de linha, mangueiras, dobradiças e bicos são essenciais para
que a aplicação do produto seja uniforme e eficiente'' - ensina Brighenti, em nota distribuída esta semana pela assessoria de comunicação da Embrapa Soja.
Além disso, o produtor deve estar atento aos fatores ambientais, porque''
ventos superiores a 10 km/h, temperatura acima dos 30º C e umidade
relativa do ar abaixo dos 70% diminuem a eficiência da aplicação'', diz
Brighenti.

mockup