Plantar na época certa. Este é um dos principais fatores para garantir o sucesso da lavoura de girassol. E no Paraná a hora já chegou. A pesquisa recomenda que a semeadura de girassol no Estado seja feita entre agosto e meados de outubro. Seguindo essa recomendação, o produtor garante plantas saudáveis, livres da mancha de alternária e da podridão de sclerotínea - doenças que podem levar à perda total da lavoura.
O alerta vem da Embrapa Soja, de Londrina, onde os pesquisadores Marcelo Fernandes de Oliveira e Regina Maria Villas Boas de Campos Leite dedicam-se à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias para a produção de girassol no Brasil. ‘‘O plantio no período recomendado é o primeiro passo certo do produtor, que evita, assim, problemas fitossanitários’’, explica Regina Leite. As pesquisas desenvolvidas na Embrapa Soja apontam a melhor época de semeadura para cada região do País. Fora desses períodos a lavoura de girassol torna-se inviável.
Instalando a lavouraPara acertar o segundo passo, o produtor deve instalar corretamente a lavoura. E é justamente aí que os pesquisadores têm constatado 70% dos erros no cultivo do girassol. Oliveira destaca alguns cuidados importantes nessa fase. O produtor deve escolher cultivares indicadas para cada região. As sementes devem ser de boa qualidade e de procedência conhecida. A profundidade ideal para plantio é de 4 a 5 centímetros. A adubação de cobertura com nitrogênio e a aplicação de boro via foliar são indispensáveis.
O pH do solo precisa ser maior que 5,2 em cloreto de cálcio. ‘‘Se o produtor seguir todas as orientações, mas se o pH do solo estiver abaixo desse índice as perdas podem chegar a 500 quilos por ha’’, conta Oliveira.
Para o girassol produzir bem, o estande deve ter população final de 40 a 45 mil plantas por hectare. Para isso é necessário usar máquinas bem reguladas e sementes com bom índice de germinação. Oliveira explica que, para alcançar a densidade ideal, o produtor deve corrigir a germinação das sementes para 100% e acrescentar mais 15%. Ou seja, se as sementes tiverem 80% de germinação, o produtor deverá colocar na semeadora 35% a mais que o volume padrão. A média utilizada é de 4 quilos de sementes por hectare.
PragasCom o solo semeado e as plantas germinando, a atenção do produtor deve voltar-se à vaquinha e aos percevejos - pragas mais comuns da cultura. ‘‘Mas não há nada que um bom monitoramento e o combate adequado não resolva’’, diz Marcelo de Oliveira. A vaquinha causa danos até 20 dias após a germinação. O combate pode ser feito com aplicação de inseticida.
Os percevejos costumam aparecer no período de formação do botão floral. Assim que forem constatados, o controle deve ser feito com aplicação de inseticida nas bordaduras. ‘‘O produtor não pode permitir que o percevejo chegue até as regiões mais internas da área cultivada. Isso praticamente inviabiliza o controle’’, afirma.
A lavoura de girassol bem conduzida é um ótimo negócio, garantem os pesquisadores da Embrapa Soja. A produtividade alcança volumes entre 1500 e 2200 quilos por hectare. Os custos ficam em torno de R$220 por ha - valor correspondente a uma tonelada de grãos. Ou seja, a rentabilidade pode variar de R$110 a R$264 por hectare. Além disso, o girassol traz outras vantagens. Por ser cultura própria para sistemas de rotação, a oleaginosa tem proporcionado aumento de produtividade de cerca de 20% na cultura plantada em seguida na mesma área.
RotaçãoNa Fazenda Bacia do Pirapó é possível confirmar esses dados. O produtor José Romano tem cultivado o girassol há quatro anos. Nesta safra, ele plantou cerca de 340 hectares. Entusiasta, Romano pretende continuar sempre nessa cultura. Os motivos: boa rentabilidade e aumento de produtividade na soja, que ele semeia após a colheita do girassol. ‘‘É uma excelente opção para rotação de culturas e tem proporcionado bons lucros’’, diz. A produtividade de sua lavoura tem girado em torno de 2500 kg/ha.
Desde que começou a cultivar o girassol em sistema de rotação de culturas, Romano tem observado um acréscimo de aproximadamente 15% na produtividade da soja. ‘‘Por ter um sistema radicular profundo, o girassol renova os nutrientes e melhora a fertilidade do solo’’, explica o produtor. O girassol produzido em sua lavoura é enviado para uma fábrica de óleo em São Paulo, com um retorno líquido de R$250 por hectare. Apesar das vantagens, Regina Leite lembra que o girassol só pode voltar a ser cultivado na mesma área, respeitando intervalos de quatro anos.

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