Rodrigo Depieri tem apenas 38 anos, mas conhece o trato com o café desde criança, já que seu pai sempre trabalhou com a lavoura. Sua principal propriedade fica localizada no distrito de São Luiz, zona sul de Londrina, e dos 20 alqueires, pelo menos 17 são dedicadas ao café.
Esta propriedade foi adquirida há apenas dois anos e ele ressalta que ainda está "vivo neste mercado" ruim devido à mecanização. "Até o ano passado a situação era razoável, mas nesta safra acho que, no máximo, vou conseguir empatar tudo que investi."
Ele relembra que em 2012 ligava para os corretores de café em Londrina e chegou a comercializar a saca de 60 quilos por R$ 480. Hoje, ele vai vender a saca praticamente pela metade deste valor. "E não adianta tentar trabalhar com mão de obra. Está praticamente impossível encontrar um porcenteiro para um sistema de parceria. Os que tinham aqui próximos ao sítio já foram embora", complementa Depieri.
Para esta propriedade, o cafeicultor adquiriu duas máquinas – colheitadeira e trincha – e também um trator através do Programa Trator Solidário, a juros anuais de 2,5% e prazo de seis anos para pagar. No total, o investimento ficou em R$ 180 mil. "Hoje, se você não mecanizar, pode parar. Vou aguentando firme porque investi e estou numa situação mais confortável comparado a outros cafeicultores."
A produtividade de Depieri no ano passado, apesar de não ser a ideal segundo os especialistas de café do Paraná, ficou em 28 sacas por hectare. Este ano, ele acredita que permanecerá no mesmo patamar. "Fiz tudo o que o engenheiro agrônomo indicou, segui os tratos de solo, componentes químicos, orgânicos e tudo mais. Para a média do meu sítio e comparado a outros produtores, está bom", analisa.
Os custos de produção de Depieri estão este ano na casa dos R$ 210 por saca, porém, ele comenta que os preços dos insumos subiram muito. "Eu paguei no ano passado R$ 780 a tonelada de adubo, agora está R$ 1.280", reclama.
Para 2014, graças aos terríveis efeitos da geada, a incerteza ronda a propriedade. Ele sabe que não será um ano fácil. "Se não fosse este problema da geada certamente colheria 1,5 mil sacas de café beneficiado. Agora, se der 200 sacas, será muito", complementa. (V.L.)

mockup