É hora de voltar a crescer
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Em 2012, o avicultores paranaenses principalmente os de pequeno e médio portes passaram por um período que, definitivamente, preferem apagar da memória. Enquanto os produtores de soja e milho riam à toa com os preços das commodities lá em cima, justificada pela quebra de safra dos Estados Unidos, o setor avícola amargava uma situação tenebrosa, com os custos produtivos elevadíssimos e o preço final sem grandes mudanças. Quem estava cambaleando na época caiu de vez e muitos não conseguiram se recuperar.
Para aqueles que permaneceram firmes na montanha-russa do agronegócio, chegou o momento de voltar a subir. Depois de um 2013 de leve recuperação com crescimento entre 4% e 5% - chegou a hora de dar novo fôlego à atividade. Nem a quebra de safra pontual da soja recentemente desanima os produtores e empresas do setor, que esperam maior exportação e faturamento ao longo de 2014.
O ano, sem dúvida alguma, começou quente para os negócios. Segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o setor conquistou, em janeiro, um novo patamar histórico para a produção de carne de frango: mais de 132,43 milhões de cabeças abatidas, um crescimento de 6,49% ante ao mesmo período do ano anterior, quando foram abatidas 124,36 milhões de aves.
A expectativa da entidade é de um crescimento três vezes superior ao Produto Interno Bruto (PIB) do País, que deve ficar entre 1,5% e 2,4% este ano. A média nacional do setor não deve chegar a 4%, segundo dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef). "O crescimento de 2013 não foi muito grande, mas temos que pensar que por muito tempo passamos por um 'crescimento chinês' diferenciado. O ano de 2013 foi de recuperação, com uma safra boa, o que nos ofereceu insumos com fartura, a bons preços e qualidade", salienta o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins.
Ele relembra a dificuldade que o setor passou em 2012. Martins comenta que muitos avicultores já estavam com problemas para captar dinheiro, já que os juros estavam muito elevados a partir de 2009, devido à crise econômica mundial. "Os pequenos produtores sofreram demais e muitos não suportaram. Os grandes têm mais facilidade de conseguir dinheiro enquanto as cooperativas tiveram, na época, maior acesso aos insumos, que estavam muito caros."
Mesmo com a economia brasileira não prometendo o melhor dos seus cenários em 2014, a expectativa do Sindiavipar é que o brasileiro continue empregado e gastando parte do seu dinheiro em alimentação, principalmente à base proteica. "Para cada R$ 10 que as classes menos favorecidas incrementarem em seu salário, R$ 5 elas vão investir em alimentação e 50% desse valor no consumo de frango. Como a cadeia do frango é longa, o que precisamos é previsibilidade. Quando surgem problemas como aconteceram em 2012, a cadeia se desestrutura. Se nada de anormal acontecer, o produtor vai continuar ganhando dinheiro, como já aconteceu no ano passado", conclui Martins.
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