É hora de podar o superadensado
Está na hora dos produtores de café superadensado que têm lavouras em produção fazerem a poda dos cafeeiros. O melhor período para aplicar a técnica inicia-se logo após a colheita e vai até o final do mês de setembro. A recomendação é da Emater, que deu, de 24 a 28 deste mês, cursos sobre poda, para cafeicultores da região de Cornélio Procópio.
Os meses de agosto e setembro são os melhores para podar lavouras não depauperadas. Em lavouras que sofreram geadas, chuvas de granizo, secas prolongadas e ataques de pragas e insetos, a técnica deve ser adotada nos meses de novembro e dezembro, após a recuperação das plantas.
TreinamentoCerca de 60 produtores da região de Cornélio Procópio aprenderam como e quando podar. O curso foi oferecido pela EmaterA poda é uma das mais importantes práticas de manejo das lavouras de café superadensado. No plantio adensado a técnica não é necessária. Com o superadensamento as plantas ficam muito próximas umas das outras - as distâncias entre as filas é de 1,20 metro e entre as plantas é de 80 cm; no cultivo adensado essas distâncias ficam em 2,5 metros e 60 centímetros -, fechando a lavoura rapidamente.
Isso evita que os raios de sol cheguem até os ramos mais baixos, que acabam morrendo. Esses são os ramos mais produtivos, que respondem por até a 25% da produção, comenta o coordenador regional da Emater, Cilésio Abel Demoner. A morte dos ramos baixos afeta também a produtividade da parte aérea. Com a poda a planta recupera, em três anos, seu potencial produtivo.
Com a poda, a planta recupera seu potencial vegetativo e volta a produzir normalmente após três safrasPlanejamentoSegundo Demoner, o estágio ideal de desenvolvimento das plantas para fazer a poda varia a cada propriedade e depende de planejamento. O produtor deve considerar o estado fisiológico da planta, mas também o mercado. Às vezes compensa esperar mais uma safra para a poda, diz. Ele explica que não existe um momento exato recomendado para fazer a poda. Mas, um indicativo para a necessidade de podar o cafeeiro é quando a saia (ramos mais baixos) começa a subir.
Durante os cursos dados pela Emater, cerca de 60 produtores aprenderam na prática como e quando podar. As técnicas demonstradas foram o decote, a recepa e o esqueletamento. O decote elimina a metade superior do tronco do cafeeiro, a uma altura de 1,20 a 2 metros do solo. A recepa é a poda do tronco entre 40 e 60 cm do solo, em que devem ser mantidos os ramos mais baixos, conhecidos como pulmões. O esqueletamento é o corte dos ramos laterais a uma distância de 20 ou 30 cm do tronco, preservando os ramos pulmões.
Celso PachecoNa recepa o produtor deve manter os ramos mais baixos da planta. A poda evita a queda de produtividade
Apesar de necessária, a poda apresenta algumas desvantagens. As plantas que sofreram cortes deixam de produzir durante uma safra e perdem o potencial produtivo em mais de 60% nos dois primeiros anos. Por isso, a poda deve ser planejada pelo produtor. Nas lavouras em que o plantio foi realizado de uma só vez, os cortes tiveram que ser feitos em toda a área. Ou seja, uma safra inteira foi perdida, conta. Demoner enfatiza a importância do plantio programado, já considerando a necessidade de poda.
TalhõesO modelo mais indicado pela Emater é o cultivo em talhões. O produtor determina a área total a ser plantada com café e divide em três ou quatro partes. O plantio deve ser feito em anos diferentes em cada talhão. Quando o primeiro talhão cultivado estiver no ponto de recepa, o restante da área continua produzindo e o produtor não perde muito. No ano seguinte, a poda é aplicada em outro talhão e assim sucessivamente. Mas o produtor pode optar também pelo arranquio ou recepa de linhas alternadas. Ou seja, elimina-se uma ou duas linhas e mantem-se outra. Assim a lavoura fica mais livre, justifica Demoner.
O produtor Luiz Shigueoka, de Assaí, vai podar os cafeeiros em produção de sua lavoura na próxima safra. Pelo que aprendi no curso, já devo podar a minha lavoura, mas vou deixar para a próxima safra, porque o preço do café está bom, justifica Shigueoka, que cultiva 23 hectares de café superadensado, sendo 2,42 ha em produção. Ele tem colhido cerca de 80 sacas por hectare. Shigueoka optou pelo cultivo por talhão, conforme indicação da Emater.No plantio superadensado as plantas ficam muito próximas umas das outras, fechando a lavoura rapidamenteJosiane Schulz





