Jota Oliveira
De Londrina
A Embrapa Gado de Corte, sediada em Campo Grande, MS, está chamando a atenção dos pecuaristas para o feno-em-pé, ou pastejo diferido, medida preventiva para evitar prejuízos na estação da seca (entressafra do boi gordo, de maio a outubro) no Brasil Central Pecuário, que abrange as regiões Centro-Oeste, Oeste de São Paulo, Norte do Paraná, Triângulo Mineiro e Sul do Tocantins.
Essa técnica, do feno-em-pé, possibilita, segundo a Embrapa, armazenar alimento e que o animal ganhe peso durante o inverno. Agora deve-se fechar uma área, proporcional à quantidade de gado na propriedade, onde o gado não entrará. Com isso o capim poderá crescer. Recomenda-se que a área vedada ao pastejo, para obtenção do feno-em-pé, seja de um hectare de pasto para cada animal com peso em torno de 450 kg.
IndicaçõesA Embrapa Gado de Corte informa que as forrageiras mais indicadas para o pastejo diferido ou feno-em-pé são a Brachiaria decumbens e a Brachiaria brizantha (cv. Marandu). As cultivares dos gêneros Panicum, como tanzânia, mombaça, vencedor, centenário, aruana e andropogon não são recomendadas para o feno-em-pé, porque têm caules grossos.
Para se obter maior produção com melhor qualidade, o centro de pesquisa recomenda que o plantio do feno-em-pé seja escalonado. A pesquisadora Valéria Pacheco Euclides, especialista em manejo de pastagens, diz que o ideal é dividir a área separada em duas partes: um terço reservado no fim de janeiro e início de fevereiro, para servir de alimento para o gado nos meses de junho e julho, e dois terços devem ser fechados entre fevereiro e início de março, para alimentar o gado em agosto e setembro. A área reservada primeiro deve ser menor, porque esse período é mais favorável ao crescimento da forrageira, esclarece a pesquisadora.
Valéria Pacheco Euclides sugere aos pecuaristas que façam, na época da vedação da área, a adubação nitrogenada, com aplicação de, pelo menos, 100 kg de uréia em cobertura. ‘‘Com tais procedimentos e com as estratégias de enriquecimento da alimentação do gado, que serão adotadas posteriormente para garantir o desempenho animal satisfatório, a propriedade estará, no tocante à alimentação, preparada para enfrentar o período de estiagem, que tem sido mais intenso a cada ano’’, conclui a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte.