As chuvas que ocorreram no último inverno e durante o mês de janeiro deste ano tornaram o clima mais propício ao aparecimento da ferrugem, a principal doença do cafeeiro, que pode causar perdas entre 20% e 45% da produção. Além dos fatores climáticos, a alta carga prevista para esta safra favorece o ataque da doença. Tudo isso pode ser sinônimo de prejuízos, se os produtores não iniciarem desde já o monitoramento das lavouras para controle da ferrugem. O alerta é do engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento Nacional do Café (Denac), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
A ferrugem ocorre com mais intensidade em São Paulo e no Paraná, onde 80% das lavouras são tradicionais e foram instaladas com cultivares suscetíveis à doença, como a catuaí e a mundo novo. O controle da doença é químico, podendo ser preventivo ou curativo. ‘‘Na fase atual, em que já existe um alto índice de infecção da doença, apenas o sistema curativo terá efeito’’, explica. Francisco Barbosa lembra que essa recomendação vale principalmente para o produtor que não fez o tratamento preventivo.
AmostragemTodas as decisões em relação ao combate à ferrugem no cafezal devem ser orientadas por profissionais especializados, principalmente a escolha do fungicida. O monitoramento da lavoura é o primeiro passo para combater a doença. ‘‘É preciso saber, através de técnicas de amostragem, como está a evolução da doença no cafezal’’, diz. Esse dado vai fundamentar as ações a serem tomadas. O agrônomo lembra que a ferrugem ataca inicialmente as folhas mais antigas e internas do cafeeiro, o que dificulta a detecção da doença. Por isso, não basta olhar a lavoura superficialmente.
Para evitar gastos desnecessários, os produtores devem considerar o intervalo de aplicação do fungicida. Alguns produtos, como o cobre, precisam de muitas aplicações. Isso eleva o custo de produção, já que são necessárias maior quantidade do produto e mais mão-de-obra. Nas lavouras com índice de até 15% de infestação é possível fazer o controle com produtos sistêmicos, como os triazóis. ‘‘Se o ataque estiver acima de 40%, não é possível mais controlar a doença’’, afirma Baarbosa.
Nas lavouras de café adensado, que ocupam 20 mil hectares no Estado, a ferrugem pode ser mais severa, se a cultivar utilizada for suscetível. O agrônomo explica que três fatores favorecem o aparecimento da doença: temperatura entre 20 e 24ºC, umidade e penumbra. Por suas características, o sistema de adensamento cria essas condições. Apenas as lavouras cultivadas com a variedade Iapar 59, resistente à doença, estão livres do problema.
BrocaApesar dos problemas com a ferrugem, Francisco Barbosa acredita que a produção paranaense não será afetada. A expectativa é de que o Estado colha cerca de 2,2 milhões de sacas de café nesta safra, mesmo volume colhido no ano passado. Segundo ele, o Paraná vai alcançar a maior produtividade brasileira, colhendo em média 17 sacas beneficiadas por hectare. ‘‘É que a maioria dos Estados brasileiros estão em ano de safra baixa, enquanto o Paraná, por ter ciclos diferenciados desde a geada de 94, tem equilíbrio na produção’’.
O agrônomo lembra que é importante também fazer o controle da broca. O ataque dessa praga tem aumentado de intensidade, causando prejuízos na qualidade do produto e no rendimento das lavouras. ‘‘O controle pode ser associado ao da ferrugem, através do monitoramento por talhões’’, ressalta.

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