É hora de bicho-mineiro no café
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de dezembro de 1996
Jota Oliveira 
A cafeicultura norte-paranaense está vivendo a época do bicho-mineiro, uma das pragas mais importantes dos cafezais, mas o produtor não deve ir logo aplicando produtos para controlar a infestação. Esta ocorre principalmente de dezembro a maio e tem seu período crítico em janeiro e março. O bicho-mineiro é a lagarta de uma pequena mariposa que deposita seus ovos nas plantas; quando os ovos eclodem, as lagartinhas penetram nas folhas e ramos e que vão comendo os tecidos.
Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (órgão vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo) em Londrina, Francisco Barbosa, a praga gosta de regiões de temperaturas médias altas em que costumam ocorrer veranicos. Como o Noroeste do Paraná, por exemplo. Por isto é menos problemática em áreas de topografia mais alta e tempo mais frio. Como na faixa cafeeira situada no sul de Londrina - distrito de São Luís, por exemplo - e Norte Pioneiro até Tomazina. O bicho-mineiro também não gosta também de chuva.
Danos Barbosa, que foi chefe regional de Assistência à Cafeicultura, do extinto IBC, identifica dois períodos críticos nesta região: de setembro a novembro, quando neste ano ocorreu um surto da praga; e de março a abril, quando são comuns os veranicos. É nesta ocasião que as plantas exigem mais nutrientes, para atender a formação dos frutos. Uma infestação alta de bicho-mineiro pode causar desfolha dos cafeeiros, o que prejudicaria a chegada dos nutrientes aos frutos e aos ramos e galhos, causando a seca dos ponteiros, e assim prejudicar a safra que está no pé e a safra futura.
Mesmo em setembro-novembro podem ocorrer infestações preocupantes, se a florada for boa e estiver sendo esperada uma safra grande, quando as plantas exigem maior quantidade de nutrientes. Mas, em regiões de safras pequenas e médias, a praga não deve causar problemas, ressalva Francisco Barbosa. O problema na época de maior demanda de nutrientes é a formação de grãos chôchos, porque não vai ocorrer translocação da seiva dos galhos para os frutos.
Controle Já foi constatado que uma desfolha de até 30% não representará problemas. Acima disto, podem ocorrer problemas, e Barbosa salienta que é preciso fazer acompanhamento constante da lavoura, para controlar o bicho-mineiro à medida que a praga evolui. Ao contrário da ferrugem-do-cafeeiro, contra o bicho-mineiro só devem ser adotadas medidas preventivas em casos especiais. Como nas regiões onde a praga provoca danos econômicos todos os anos.
Em todo caso, quando ocorre um veranico de 15-20 dias, o produtor tem que se preocupar, observa o agrônomo do Ministério da Indústria e do Comércio. Então, o cafeicultor pode fazer o controle do bicho-mineiro via solo, nas regiões onde a ocorrência é mais frequente, ou aplicando produtos fosforados com menor poder residual, que varia de 20 a 30 dias ou piretróides, que são menos tóxicos e têm efeito residual de 40 a 50 dias. Por serem menos agressivos ao ambiente e aos inimigos naturais do bicho-mineiro, os piretróides, informa Francisco Barbosa, são atualmente os produtos mais usados no controle dessa praga.
Inimigos naturaisBarbosa ressalta que o controle do bicho-mineiro deve ser feito com acompanhamento técnico, até para não causar desequilíbrio ecológico como eliminar os inimigos naturais da praga e danos ao ambiente. Estes inimigos naturais podem ser vespas, que conforme as condições climáticas (tempo seco e frio; ou chuvoso), na região, podem equilibrar a população da praga, mantendo-a em níveis não prejudiciais. Nestes casos, é desnecessário gastar dinheiro na aplicação de produtos químicos.
Diversas vespas, informa Barbosa, predam a lagartinha do bicho-mineiro. Tem produtos orgânicos, como fungos, que não vêm funcionando bem no Brasil, devido às condições climáticas daqui, embora dêem melhores resultados na América Central e na Colômbia.
Existem problemas piores para o café, no Norte do Paraná, do que o bicho-mineiro. É o caso da ferrugem, que não é seletiva, não escolhe região e ocorre em toda a zona cafeeira do Estado. Desta doença, diz Barbosa, deve-se fazer prevenção. A broca também é problemática em algumas regiões.
Safra A presente safra brasileira de café, que será colhida no ano que vem, deverá ser inferior à deste ano. Algumas especulações apontam para 17 milhões a 18 milhões de sacas limpas; outras prevêem mais do que isso. A única certeza é que a safra nacional será menor do que a deste ano, comenta Barbosa, lembrando-se de que foram obtidas no País de 24 milhões a 27,5 milhões de sacas na safra 95/96.
O Paraná, que colheu de 1 milhão a 1,1 milhão em 96, deve colher mais em 97. Barbosa explica que na última safra, 60% dos cafeeiros paranaenses tinham sido recepados devido a geadas, e portanto produziram pouco. Vão produzir mais em 97. Daí ser esperada uma colheita maior. Rondônia também deverá colher mais.
Para quem colher, seja no Paraná, Rondônia ou em qualquer outro Estado cafeeiro, a perspectiva é de preços em bom nível para os produtores até o início da safra de 98, porque - justifica Barbosa - a colheita brasileira, no seu total, será menor.


