A baixa produtividade das lavouras de Bela Vista do Paraíso não foi responsabilidade da transgenia, garante o pesquisador Antonio Eduardo Pípolo, da área de melhoramento de soja da Embrapa, em Londrina. Ele reforça a afirmação dos técnicos da Coodetec sobre a característica da planta, de ter seu desenvolvimento regido pelo fotoperíodo (número de horas com luz a que a planta é submetida). ''Há algumas variedades que são mais sensíveis a essa influência climática'', destaca.
''A soja transgênica RR confere tolerância a um grupo de herbicidas (à base de glifosato) - e só - e não às influências do fotoperíodo. Assim, o florescimento precoce não se deve ao fato de ser transgênica'', explica.
Pípolo informa que a maioria das variedades produzidas no País tem o tipo de crescimento determinado, ou seja, quando atinge certa idade ela vai florescer e, depois disso, a planta cresce muito pouco. ''Há plantas com genótipos mais sensíveis a essa influência'', destaca. ''Alguns cultivares produzidos pela Embrapa também sofreram interferências, mas creio que em menor intensidade''. Essa característica, segundo ele, é que permitiu o avanço da cultura para outras regiões, como o Cerrado. Ele destaca que a diversidade climática do País exige uma produção regionalizada de sementes. ''O que serve aqui, não vai ser eficiente no Mato Grosso'', exemplifica.
O pesquisador destaca ainda a necessidade de água no solo para o bom desenvolvimento da soja e o enchimento dos grãos. ''Vínhamos de um longo período de estiagem e, mesmo com as ocorrências de chuvas do mês, a água que caía, seguia direto para a reposição dos lençóis freáticos, deixando o solo com pouca disponibilidade hídrica'', informa. Isso, segundo ele, causou a desuniformidade no crescimento das plantas. Pípolo credita a maturação desuniforme dos grãos, como reclamaram os produtores de Bela Vista do Paraíso. às influências do fenômeno El NiÀo, que se caracteriza por chuvas acima da média e grande amplitude térmica. ''Não há como prever outras influências negativas como essas, talvez se repitam no próximo ano, ou daqui a 10 anos, não há como saber'', lamenta.
A pesquisa, continua o técnico da Embrapa, tem trabalhado em busca de diminuir os riscos da atividade. Essas conquistas também são vencidas pelo tempo. ''Plantas e insetos vão adquirindo resistências a essas novidades tecnológicas. Por isso, há sempre o lançamento de novas variedades com características diferenciadas e importantes.'', salienta. ''A pesquisa da soja no País é uma história de sucessos'', resume.

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