Luly Turquino com o feirante Silvio Costa: "Mesmo com a concorrência de supermercados, shoppings, ar-condicionado, estacionamento... A feira ainda é tradição. Nós estamos contentes"
Luly Turquino com o feirante Silvio Costa: "Mesmo com a concorrência de supermercados, shoppings, ar-condicionado, estacionamento... A feira ainda é tradição. Nós estamos contentes" | Foto: Reprodução



No dia 25 de agosto é comemorado no Brasil o dia do Feirante. Então, o Multi Agro dessa semana foi conhecer essa figura tão importante no País! Luly Turquino visitou a feira realizada na Rua Souza Naves com a Avenida Bandeirantes.

A data foi escolhida como o dia do feirante porque em 25 de agosto de 1914 realizou-se a primeira feira livre oficial no Brasil. As feiras já aconteciam antes disso, quando comerciantes vendiam os produtos que não tinham sido comercializados nas quitandas. Porém, somente nessa data o então prefeito de São Paulo, Washington Luís, oficializou esse tipo de comércio.

Para ser feirante em Londrina é preciso ter um alvará concedido pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina). A fiscalização é feita pela companhia e pela vigilância sanitária.

Na cidade as feiras são realizadas todos os dias, em diferentes locais e bairros. De acordo com Silvio Costa, representante dos feirantes, atualmente trabalham na atividade 280 pessoas. Ele explica que a maior parte deles são intermediários entre os produtores rurais e o Ceasa (Centrais de Abastecimento). Alguns pegam os produtos na Ceasa durante a madrugada e já vão direto para a feira. Ela começa a ser montada por volta das três horas da manhã.

"Não é fácil a vida de feirante não. Por isso que dia 25 comemora-se o dia do feirante e precisava de um dia para nós comemorarmos, para sermos lembrados pela população. Porque realmente a turma só vê nosso trabalho aqui. Os bastidores são muito mais do que estar com uma barraca montada às quatro da manhã", diz Costa.

Apesar das dificuldades, ele ressalta que os londrinenses gostam das feiras e "mesmo com a concorrência de supermercados, shoppings, ar-condicionado, estacionamento... A feira ainda é tradição. Nós estamos contentes".

As feiras livres estão consolidadas como importante nicho de mercado e garantem o sustento de diversas famílias brasileiras há décadas. Osvaldo Canesso, que vende ovos, começou a trabalhar há 45 anos com o pai. Eles iam de Ibiporã para Londrina em uma carroça, pegavam os produtos e montavam sua barraca. Hoje, seu Canesso leva os ovos em uma Kombi. Aos poucos, ele está deixando a barraca para sua filha que já o ajuda. "Mas eu não sei se vou parar de vir. É perigoso eu continuar vindo...", brinca ele.

Milton Francisco também começou na feira junto com os pais em 1953. Atualmente, ele é o feirante mais antigo de Londrina. Além disso, ele também produz os vegetais que vende e dá uma dica para que os produtos fiquem fresquinhos: "colher pouco antes de sair de casa, pois se forem colhidos muito antes, podem murchar".

Segundo Francisco, o londrinense é exigente e gosta de mercadorias novas. Ele diz que os vegetais que sobram não são vendidos no dia seguinte, porque "não adianta você querer empurrar coisa estragada nos outros. Caso contrário, o cara compra uma vez, mas não compra duas, não é?".

O Multi Agro vai ao ar neste domingo (26) às 8h na Multi TV (canal 20 e 520 da NET) e tem reprises diárias.

mockup