Produtor de grãos até vender a propriedade, extremamente valorizada, Nagib Abudi Filho atualmente é investidor ligado ao agronegócio, operando em bolsa. Do seu ponto de vista sobre o panorama de 1975, ''se a geada tivesse ocorrido dez anos antes não saberíamos o que fazer'', porque não havia condições para se introduzir a soja em larga escala e não se divisava outra cultura de maior valor. Na década anterior, cafezais davam lugar a pastagem.
Com 1,281 bilhão de pés e produção de 21,4 milhões de sacas em 1961, a região representava cerca de 54% do café brasileiro; o excesso de oferta determinou a criação do Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura (Lerca), para ajustar a produção via erradicação, também com o propósito de diversificar.
No período 1962-1967 são erradicados 250 milhões de cafeeiros no Paraná, liberando 307 mil hectares. A geada de 1969 e a disseminação da ferrugem a seguir determinam o Plano Nacional de Renovação e Revigoramento de Cafezais (1970-1980), com suporte da Organização Internacional do Café (OIC) e que esbarrou na geada de 1975.
O país já havia entrado no ''milagre econômico'' (1968-73), de crescimento acelerado pelo boom das exportações, crédito altamente subsidiado para se modernizar a agricultura e investimentos em energia, transportes e comunicações. A participação do café nas exportações, de 53% em 1964, havia baixado para 21% em 1973.
''E a soja se tornou a grande salvação da agricultura nacional'', segundo Nagib, atribuindo a viabilidade da cultura aos programas governamentais de crédito e à decisão dos próprios agricultores norte-paranaenses de mudar, a partir das primeiras experiências de Herbert Bartz com o plantio direto, em Rolândia. Ao mesmo tempo estruturava-se o Iapar e, em 1975, foi criado o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja).
Já em 1980, as principais participações do Paraná na produção brasileira eram as seguintes: maior produtor de trigo, 49,97%; algodão, 33,51%; milho, 28,84% e feijão, 23,49%; segundo colocado na produção de soja, 35,63%; e terceiro maior no café, 15,58%.
E o sistema de produção paranaense ganharia âmbito nacional. (W.S.)

mockup