Cristina Côrtes
De Londrina
De maneira geral, a produção de arroz, feijão, tubérculos e hortaliças que compõem a base da alimentação do brasileiro sempre esteve escondida atrás dos ciclos econômicos que fizeram e fazem a história da agricultura brasileira. Nos centros de pesquisa do País essas culturas são pouco valorizadas, recebendo poucos investimentos para desenvolvimento de novas variedades. Até mesmo na mídia esses produtos ocupam poucos espaços, se forem comparados com outras culturas, mas estão presentes na nossa mesa todos os dias.
Segundo o pesquisador Emílio de Maia de Castro, da Embrapa-Arroz e Feijão, o arroz é a fonte mais importante de proteína e energia para o brasileiro. Mesmo depois de processado, o arroz mantém 7% de proteína, o que pode ser pouco comparado com o valor protéico da carne ou do feijão, mas considerando a quantidade que ingerimos em cada refeição, ‘‘o arroz acaba sendo responsável pelo suprimento da maior parte das proteínas consumidas pela população’’, diz o pesquisador.
PerspectivasCom a grande diversificação de opções alimentares hoje, o pesquisador prevê que o consumo per capita deve ser reduzido nos próximos anos, mas o consumo global deve crescer, assim como deve crescer também a produção brasileira. ‘‘Atualmente temos um consumo em torno de 11 milhões e 500 mil toneladas, que está equilibrado com a produção’’, diz Emílio.
Os principais Estados produtores são Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, mais recentemente, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Até a década de 70 o arroz preferido pela população era o produzido em terras altas, ou chamado também de sequeiro. Hoje a preferência nacional recai sobre o tipo agulhinha, colhido nos campos irrigados. Segundo Emílio, o trabalho de pesquisa já possibilitou o plantio do tipo agulhinha em terras altas, com um bom retorno de produtividade e qualidade do grão, estimulando o crescimento das áreas de arroz em terras altas. ‘‘Temos recebido muitas consultas de produtores, inclusive do Paraná, interessados no cultivo em terras altas’’, comenta o pesquisador.
Na safra 97/98 a produtividade média de arroz de terra alta no Brasil alcançou 1.400 kg/ha e na safra 98/99, 1.800 kg/ha. Segundo o pesquisador a produtividade deve continuar a crescer. Para as áreas irrigadas, a média em 96/97 atingiu 5 mil kg/ha, sendo mantido este número na safra 97/98. Os maiores produtores de arroz irrigado no Brasil são: Rio Grande do Sul, com 800 mil hectares, Santa Catarina, com 118 mil hectares e Tocantins, com 65 mil hectares plantados.
A área total de arroz irrigado no Brasil é de 1,3 milhão de hectares, com produção de 5,5 milhões de toneladas, correspondendo a 60% da produção nacional.
OrigemO arroz é uma gramínea, pertencente à tribo das orízeas e ao gênero Oryza. O gênero Oryza, o mais rico e importante da sua tribo, compreende cerca de 25 espécies, dispersas espontaneamente nas regiões tropicais da Ásia, África e Américas do Sul e Central.
A expedição de Pedro Álvares Cabral, regressando de uma peregrinação por aproximadamente 5 km no território brasileiro, levou consigo arroz colhido em solo brasileiro, relatam pesquisadores. Isto seria apenas a confirmação de registros de Américo Vespúcio, que constatara a presença do cereal em grandes áreas alagadas na Amazônia.
Em 1587, lavouras arrozeiras já ocupavam terras da Bahia; em 1745, o cultivo teve início no Maranhão; e, em 1766, a Coroa Portuguesa autorizou a instalação da primeira descascadora de arroz do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.
A prática da orizicultura no Brasil, de forma organizada e racional, começou em meados do Século 18. Desta época até a metade do Século 19, o País foi grande exportador de arroz.
Os portugueses provavelmente introduziram o Oryza sativa na África Ocidental e na parte sul da África Ocidental. A introdução do arroz nas Américas teria sido feita pelos espanhóis, que o trouxeram à América Central e a algumas partes da América do Sul. Nos Estados Unidos, data do fim do Século 17, quando foi trazido de Madagascar para a Carolina do Sul. Autores brasileiros apontam o Brasil como o primeiro país a cultivá-lo no continente americano. Era o ‘‘milho d‘água’’ (abati-uaupé) que os tupis, muito antes de conhecer os portugueses, já colhiam sem sequer sair do barco, nos alagados perto do Litoral.
FeijãoDiscriminado durante séculos por certas classes da sociedade como ‘‘alimento dos pobres’’ e por muitos agricultores como uma cultura de manejo difícil, o feijão, preparado em uma grande variedade de receitas nas cozinhas do mundo inteiro, aparece hoje como um dos pratos internacionais mais populares, como: a ‘‘Pasta e Fagioli’’ na Itália, o ‘‘Cassoulet’’ na França, o ‘‘Chili con Carne e Frijoles’’ no México, o ‘‘Red Beans and Rice’’ (New Orleans, LA) e o ‘‘Baked Beans’’ (Boston, MA) nos EEUU; e a não menos famosa ‘‘Feijoada Brasileira’’.
O feijão está entre os alimentos mais antigos, remontando aos primeiros registros da história da Humanidade, sendo alimento básico nos quatro cantos do mundo. O feijão era cultivado no antigo Egito e na Grécia, sendo também cultuado como símbolo da vida.
Os feijões são relativamente baratos pelo valor alimentício que representam e, portanto, são uma fonte compacta de energia a um preço baixo. São fáceis de armazenar e relativamente não perecíveis. Os feijões mais consumidos no Brasil pela ordem são o carioca, o preto e o feijão-de-corda.
ProduçãoNa safra 98/99, correpondendo as três safras do período, a área de feijão no Brasil, segundo dados da Embrapa Arroz e Feijão, atingiu aproximadamente 4,1 milhões de ha, com uma produção de 2,9 milhões de toneladas. A produtividade média é de 710 kg/ha. A pesquisadora Lídia Pacheco Yokoyama comenta que, quando se fala de feijão no Brasil, é bom explicar que temos três safras diferentes e que as produtividades variam bastante, inclusive de região para região. ‘‘Temos produtividade alta que chega a quase 2 mil kg/ha, e para a terceira safra, também chamada safra de inverno, que é o feijão irrigado, a média chega a 1.500 kg/ha’’, diz.
A demanda de consumo autal é de 2 milhões e 950 mil toneladas, tendo sido necessário importar este ano 120 mil toneladas de feijão da Argentina. Na avaliação da pesquisadora, a tendência para o futuro é de redução do consumo, devido a mudança de hábitos alimentares da população brasileira.Apesar de serem básicos na alimentação da população, o arroz e o feijão não constam nos ciclos econômicos
A produção de feijão no Brasil não tem sido suficientes para abastecer o mercado internoArroz e feijãoA produtividade do arroz cultivado em terras altas (sequeiro) tem crescido nos últimos anos

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