Persistir é qualidade para poucos. Na primeira frustração, a maioria deixa os sonhos para trás, opta pelos caminhos sem obstáculos, desiste num piscar de olhos. Em 1995, em meio a um cenário econômico completamente instável para o agronegócio brasileiro, quem sofreu o baque foi o sistema cooperativista. Duas estradas, portanto, se formaram: desistir ou continuar neste ideal? 28 produtores do Norte do Paraná optaram por lutar contra a maré, contra todas as possibilidades e conjunturas econômicas, criando, no dia 6 de dezembro daquele ano, a Integrada Cooperativa Agroindustrial, em Londrina.
Um passo verdadeiramente de coragem, afinal, a cooperativa nasceu com boa parte dos cooperados que pertenciam à Cooperativa Central de Cotia (CAC), a maior da América Latina, que acabou na bancarrota devido a todo o cenário da época, associado a problemas de gestão. Em 20 anos – uma fagulha de tempo para qualquer instituição – a Integrada galgou voos altos, se coloca hoje entre as dez maiores do Estado, com 8,3 mil cooperados, 58 unidades industriais no Paraná e São Paulo e expectativa de fechar 2015 com um faturamento de R$ 2,2 bilhões. A definição de cooperativismo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) como "um movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social", flui em meio a essas duas décadas da cooperativa.
Para atingir o patamar atual, a Integrada construiu alicerces sólidos, entre eles investimentos estratégicos ao longo dos anos, aposta na agroindustrialização, capacitação técnica dos produtores, foco em produtividade, recebimento eficiente da produção e, principalmente, uma atenção diferenciada aos cooperados e colaboradores. Para o presidente da Integrada, Jorge Hashimoto, que participou ativamente da fundação da cooperativa, tudo que foi conquistado está ligado à valorização das pessoas. "Não tínhamos nada, nem estrutura nem capital, apenas o sonho de cooperados e colaboradores de construir uma nova cooperativa", relembra ele.
As primeiras unidades de recebimento de grãos foram arrendadas e, em 1996, o volume de recebimento era de 277,9 mil toneladas, um valor pequeno perto do 1,9 milhão de toneladas de grãos recebidos atualmente. Em 1998 foi construída a primeira unidade com recursos próprios, em Quarto Centenário (Centro Ocidental), mas foi a partir dos anos 2000 que o patamar da Integrada mudou, com uma forte expansão.
Hashimoto conta que os investimentos iniciaram com o arrendamento da Unidade Industrial de Milho, em Andirá, já atentos à agroindustrialização. Continuou priorizando o atendimento aos cooperados e recebimento da produção, com a construção e ampliação de dezenas de unidades de recebimento. Entre 2000 e 2004, a capacidade estática da cooperativa cresceu incríveis 93%, de 300 mil toneladas para 579 mil toneladas. Muito disso aconteceu devido a uma parceria na época com a cooperativa Coopramil, que resultou na expansão dos negócios para outos municípios do Norte do Estado, como Cambará.
Outro fator fundamental foi a captação dos recursos por meio do Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop), do governo federal. "Foi um financiamento em torno de R$ 10 milhões. Como nossa cooperativa estava começando e não tinha dívidas acumuladas, utilizamos o recurso para crescer, apostar na construção de várias unidades de recebimento de grãos. Outro ponto foi incorporação da Coopramil, que possuía seis unidades e nós assumimos. A partir daí, tudo fluiu com muita naturalidade. A atenção para a agroindústria é mais recente e também importante para o nosso crescimento".
Para o futuro, Hashimoto dá a receita: uma gestão cada vez mais eficiente e profissional, além de continuar como uma cooperativa diferenciada no relacionamento com os cooperados, fornecedores e clientes. "Fidelizando nossos cooperados, temos facilidade para expandir para novas regiões, como aconteceu este ano em São Paulo. Temos também um planejamento de renovar o quadro de gestores com mais velocidade. Sem dúvida, olho para trás, vejo o que foi construído e tenho um sentimento de orgulho e satisfação", completa o presidente.

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