Drones: mercado em crescimento
Equipamentos pulverizadores aliam economia de recursos e eficiência produtiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de agosto de 2025
Equipamentos pulverizadores aliam economia de recursos e eficiência produtiva
Fernando Buchhorn Jr. 

O uso de drones na agricultura está em plena ascensão. Um levantamento de uma empresa alemã Droneii (Drone Industry Insights), que faz pesquisas no setor, estima que esse mercado deve movimentar US$ 5,7 bilhões até 2030, crescendo 6,59% ao ano no mundo.
E o número de possibilidades de uso de drones no agronegócio parece acompanhar o ritmo de crescimento exponencial do mercado global, desafiando o que há poucos anos parecia impossível de se fazer no dia a dia de pequenos e grandes produtores agropecuários.
As aplicações dessa tecnologia vão desde o mapeamento de propriedades e auxílio em georreferenciamento para questões legais até a inspeção de rebanhos, manejo de pastagens, semeadura, adubação, controle fitossanitário e produção de pesquisa científica.
Rafael Soares, engenheiro-agrônomo e pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de Londrina, explica que no âmbito do controle fitossanitário a pulverização com drones apresenta vantagens inerentes à tecnologia. Segundo ele, os resultados práticos dispensam até pesquisas científicas aprofundadas para comprovação.
Do ponto de vista da eficiência produtiva, a primeira vantagem é que a tecnologia pode ser utilizada independentemente das condições de tráfego do terreno. Como a aplicação se dá por via aérea, não há problemas em fazê-la após períodos chuvosos e em solos encharcados, diferentemente do que ocorre com tratores, que precisam do solo mais seco para ingressar na lavoura.
Outro fator é o amassamento da cultura. Segundo dados apresentados em 2025 pela Embrapa, no documento técnico de número 474, a aplicação de químicos por meio destes equipamentos é capaz de evitar perdas de 2% a 7% ocasionadas pela entrada de maquinários pesados em lavouras como a de soja, por exemplo.
Na cultura do milho, a aplicação de fungicidas e inseticidas com o uso de drones também tem evitado o amassamento das plantas mais altas e após o pendoamento. Segundo a Embrapa, o uso da tecnologia permite aplicação rápida e não causa perdas eventualmente ocasionadas por pulverizadores autopropelidos terrestres.
E para além da mitigação de perdas, a economia de água também é um ponto relevante. A redução de consumo pode chegar a mil por cento. “É baixo o volume que se usa, em torno de 10 a 15 litros por hectare, enquanto pulverizadores terrestres normais usam em torno de 150 litros por hectare. Água hoje em dia é um insumo valioso. Em grandes áreas pode se economizar muito”, enfatiza.
O benefício ao trabalhador também é contabilizado pelo agrônomo da Embrapa entre as “vantagens inerentes à tecnologia”, já que a aplicação à distância reduz os riscos de contaminação. “Em todas as outras formas o trabalhador que aplica, ou dirigindo o trator ou com o aparelho costal, está dentro do talhão sujeito a se contaminar. Com o drone o aplicador está distante do local”, explica.
Soares foi um dos pioneiros no Brasil a pesquisar o uso de drones na agricultura, ingressando nesse nicho há cerca de seis anos. Um trabalho que resultou na publicação do Documento 474 da Embrapa em parceria com o também engenheiro-agrônomo Eugênio Passos Schröder.
“Evidentemente que [a tecnologia] ainda está em desenvolvimento. Tem problemas, tem mau uso, mas evoluiu muito rápido. Teve muito aventureiro comprando drone e entrando na atividade, mas a tendência é que agora vai haver uma seleção. O pessoal vai conhecendo melhor e fica na atividade quem realmente leva a sério o negócio”, complementou.
OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO
A engenheira-agrônoma Fabiana Teodoro Lessi é sócia-proprietária da empresa londrinense Planap, que atua em diferentes frentes desde a década de 1970, com georreferenciamento, projetos e consultoria ambiental.
Os drones de imagem não são uma novidade para eles, que já utilizam a tecnologia há alguns anos em mapeamento para fins de avaliação de imóvel rural, licenciamento, uso do solo, apoio em perícias e até para avaliação e realocação de reserva legal junto a órgãos como o IAT (Instituto Água e Terra).
“Acaba sendo um suporte para diversos tipos de serviços, seja da topografia, na consultoria ambiental, na parte de licenciamento. Como um recurso a mais ou até exclusivamente através dele”, explica Lessi.
A empresa, no entanto, resolveu apostar no novo mercado de drones para pulverização há um ano, passando a ofertar o serviço aos clientes de Londrina e região. Everton Brito, também engenheiro-agrônomo, é piloto autorizado. Ele acredita que uma das maiores vantagens do controle fitossanitário com estes equipamentos é a possibilidade de acessar terrenos em que o maquinário tradicional não conseguiria.
“Em meses de muita chuva em áreas declivosas, áreas quebradas, não é possível entrar com trator. E quando você passa do período de aplicação [dos químicos], começa a ter prejuízo na produtividade. Então o drone ajuda nesse momento”, comenta o piloto.
Atualmente, na empresa, o preço do serviço aos produtores varia de R$ 100 a R$ 150 por hectare. A maior área aplicada pela empresa na Região Metropolitana de Londrina até hoje foi de 150 hectares. No total, já pulverizou 1.483 hectares em um ano de serviço.
CUSTO E LIMITAÇÕES
Para aderir à nova tecnologia, produtores rurais têm dois caminhos: contratar um prestador de serviço ou comprar o próprio drone de pulverização. Ambos têm vantagens e desvantagens ao agricultor.
O engenheiro-agrônomo da Planap Everton Brito explica que muitos agricultores têm contratado o serviço como alternativa ao uso de químicos pelos funcionários ou ao investimento em maquinário. “Ao invés de investir em maquinário, o produtor prefere pagar pelo serviço. Ele não fica com dinheiro imobilizado e não tem o risco de o funcionário manusear o defensivo”.
Segundo o Documento 474 da Embrapa, um drone de pulverização agrícola pode custar entre R$ 100 mil e R$ 300 mil, variando conforme especificações e características do equipamento. Mas o custo inicial é maior e pode incluir a aquisição de gerador de energia para carregamento das baterias, compra de baterias reservas, aquisição de sistemas de pré-mistura e carregamento de calda (mistura pronta para aplicação), contratação de softwares de gerenciamento de operações e compra de equipamentos de segurança.
Soares explica que atualmente a grande limitação da tecnologia é a durabilidade das baterias, o que pode exigir um investimento maior para a compra de baterias reservas.
“Um drone com capacidade de 70 litros [de agrotóxico] não consegue pulverizar os 70 litros com uma bateria. Ela vai acabar antes disso e vai voltar. O produtor então vai ter que trocar a bateria e o drone reinicia onde parou. Para minimizar isso tem que ter várias baterias”, explica Soares.
Entretanto, mesmo com prós e contras, para Soares a balança pende mais para as vantagens. “O drone é mais rápido. Se você trabalhar certinho, ele faz um hectare em torno de 10 minutos. Então é muito rápido”, defende o engenheiro-agrônomo.
O agricultor que tiver interesse em adquirir o próprio drone de pulverização deve se preocupar também com cursos e habilitações específicas, como o CAAR (Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota), autorização de acesso ao espaço aéreo, cadastro da aeronave e outras normativas estaduais e municipais.
No site do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), está disponível um checklist que resume os requisitos essenciais para que os produtores rurais atuem em conformidade com a legislação.
SERVIÇO
Os produtores agropecuários interessados no uso de drones pulverizadores podem procurar a Embrapa ou acessar o Documento 474 para compreender as vantagens e desvantagens da tecnologia. “A tendência está crescendo e ainda tem bastante o que avançar e evoluir, mas acho que é sem volta. Com certeza uma tecnologia que veio para ficar”, conclui Soares.


