Vânia Casado
De Curitiba
A escassez de chuva já causou prejuízos avaliados em R$316 milhões aos produtores rurais de todo o Estado e persiste nas regiões Norte e Noroeste, onde as lavouras continuam sendo castigadas. As culturas mais afetadas nessas áreas são a soja, milho, feijão das águas e café, cujas perdas estão calculadas em 1,24 milhão de toneladas de grãos.
Com a continuidade do quadro climático, a Secretaria da Agricultura prossegue reavaliando as estimativas para a safra 99/2.000. O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, avalia que ‘‘não é impossível’’ piorar a quebra de safra, se não chover nos próximos dias. O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) prevê tempo instável, com chuvas, neste final de semana.
Quebra de produçãoNa última avaliação da safra, o Deral constatou que a estiagem está provocando a redução de 6% na produção de grãos em relação à safra passada e de 8,5% em relação à estimativa inicial. A produção da safra de verão foi estimada inicialmente em 14,63 milhões de toneladas arroz, café, feijão, milho e soja. Agora esse cálculo foi reavaliado para 13,39 milhões de toneladas.
Os produtores da região Norte, envolvendo os municípios de Cornélio Procópio, Jacarezinho até Londrina e Maringá, estão tendo os maiores prejuízos. A quebra de soja na região Norte é de 7,4% na produção, inferior à quebra prevista na região Sul, que deverá ter uma produção 9,4% menor. No entanto, o prejuízo financeiro no Norte está estimado em R$39,72 milhões, com a perda de 155.795 toneladas de soja. Na região Sul o prejuízo financeiro deverá ser de R$32,15 milhões, com a perda de 126.090 toneladas do grão.
No total a safra de soja 99/2000 foi reavaliada de 7,7 milhões para 7,3 milhões de toneladas – uma redução de 5,4% na produção. O prejuízo financeiro foi avaliado em R$106 milhões com a perda de 415.507 toneladas nas regiões Norte, Noroeste, Oeste, Centro-Oeste, Sudoeste e Sul do do Estado.
Na produção de milho o prejuizo em todas as regiões atinge R$130 milhões, com a quebra de 11,2%. A produção inicial, que deveria atingir 6,075 milhões de toneladas, caiu para 5,39 milhões de toneladas – uma perda de 677 mil toneladas. A região mais prejudicada foi o Norte, com a redução de 228.819 toneladas de milho, que correspondem a uma perda de R$43,5 milhões para os produtores. A região Oeste perdeu 168.630 toneladas do grão, correspondentes a um prejuizo de R$32,1 milhões. A região Centro-Oeste teve uma quebra de 33% na produção, com a perda de 91.080 toneladas de milho e perda financeira de R$17,33 milhões.
O feijão das águas, prejudicado pela estiagem e baixas temperaturas ocorridas durante o desenvolvimento da cultura, teve quebra de safra avaliada em 23,4% na produção, que cai de 444.788 para 359.904 toneladas. Com isso a redução é de 110.132 toneladas, equivalentes a uma perda de R$58,7 milhões aos produtores. Na região Norte a quebra de safra chegou a 36,6%, com a redução de 38.150 toneladas e perda de R$20,35 milhões. No Centro-Oeste, a quebra na produção foi maior, de 40,3%, com a perda de 2.901 toneladas. Como o volume de produção é menor nessa região, o prejuízo financeiro foi R$1,54 milhão.
No Sudoeste a quebra de safra do feijão das águas também atingiu 36,6%, como na região Norte. Mas o volume foi reduzido em 26.789 toneladas, o que corresponde a perdas de R$14,29 milhões. Na região Sul, o prejuízo financeiro atinge R$15,12 milhões, com a perda de 28.352 toneladas de feijão.
CaféNas lavouras de café, a incidência de geadas e ventos frios seguidos de estiagem provocaram a quebra de 19,4% na produção, com a redução de 32.857 toneladas. A produção inicial de café da safra 99/2000 estava estimada em 169.313 toneladas e agora deve cair para 136.456 toneladas. O prejuízo total está avaliado em R$104 milhões. A região mais prejudicada é a Norte, com a perda de 18,9% na produção, correspondendo à redução de 23.323 toneladas. A produção inicial na região, que é a maior produtora de café do Estado, era calculada em 123.648 toneladas. Com a seca esse cálculo foi reavaliado para 100.325 toneladas, o que equivale à perda de quase R$74 millhões aos produtores.
Na região Noroeste o prejuízo está avaliado em quase R$20 milhões, com a perda de 6.289 toneladas de café. Isto corresponde a uma quebra de 22,7% na produção. A produção inicial estava avaliada em 27.658 toneladas e a estimativa atual prevê 21.369 toneladas. Na avaliação geral do Estado, o Deral constatou a quebra de 20% na safra de café, que terá a colheita reduzida e 2,8 milhões de sacas para 2,28 milhões de sacas.
Há ainda quebras de 11% nas lavouras de cebola, 5% na produção de fumo e 3% na produção de mandioca.Situação é pior nas regiões Norte e Noroeste do Estado, onde as perdas ainda podem aumentar
Mário CesarDesenhos de antigos riachos em um braço seco da Represa de Capivara, em Alvorada do SulTerra preparada, esperando chuva para o plantio e lavouras irregularesNuvens fazem sombra no solo seco, no Vale do Paranapanema (Norte do Paraná). Mas não choveuAproveitando-se da umidade do solo no local, capim nasce no leito seco de um braço da represaEm torno das ilhas formadas pelo represamento da hidrelétrica de Capivara, o Rio Tibagi mostra quanto está baixo