A produção de rapadura e melado aumenta a renda família de João Mário Nunes, que vive na Vila Rural Esperança, no distrito de Irerê. Durante a semana ele desempenha a função de agente de saúde na Unidade de Saúde do distrito, mas aos sábados, com a mulher Isabel e a vizinha Neuci Aparecida Ribeiro, produz cerca de 250 unidades de rapadura para vender na região.
Num galpão nos fundos da casa, Mário - como é conhecido - instalou um miniengenho e três tachos onde apura o caldo de cana. Para manter o fogo utiliza lenha que compra da vizinhança e o bagaço da cana. A rapadura vende a R$ 0,75 a unidade em mercadinhos de Irerê, Paiquerê, Guaravera, Tamarana, São Luiz, e bairros da zona sul de Londrina. A família Nunes fabrica rapadura pura, com cidra, abóbora, mamão, amendoim e banana e ainda de 10 a 12 litros de melado por semana.
No tacho o caldo abre fervura e exige atenção de Mário, Isabel e Neuci para chegar ao ponto correto do melado e da rapadura. Antes disso, os três têm que mexer com uma pá, retirando o excesso de espuma com uma espumadeira. A técnica e até mesmo a intuição para achar o ponto dos produtos, Nunes aprendeu com o pai e o avô. ''Quando tinha 9 anos aprendi vendo o meu pai fazer no sítio'', afirma.
Depois de três horas de fervura, o caldo atinge o ponto do melado. De 15 a 20 minutos após, chega o ponto da rapadura. Nesse momento, o melado é colocado num cocho e batido e depois colocado em fôrmas para endurecer. No cocho são acrescentados os ingredientes para a fabricação da rapadura mista, exceto na rapadura de amendoim, em que o produto é acrescentado ainda no tacho.
Nunes fez o rótulo, com uma breve descrição do produto e a data de validade. Ele afirma que está aguardando o rótulo que está sendo desenvolvido pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), que vai discriminar as características e os valores nutricionais da rapadura e do melado. O produtor também buscou a orientação da Vigilância Sanitária, que determinou a instalação de telas de proteção no galpão. ''Estamos providenciando a colocação'', diz.
O produtor cobra incentivos do poder público. Segundo ele, se tivesse acesso a recursos (no seu caso de R$ 8 mil) poderia adaptar o seu galpão, aumentar a produção e até empregar mais uma pessoa. ''Também poderia trabalhar só aqui e abrir um emprego a mais no posto de saúde de Irerê'', afirma.

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