Mário CesarO começoMudas de camu-camu no viveiro da Agrovale, em AssisDa folha ao fruto ela é a ‘‘cara’’ da jabuticaba (ambas são da mesma família). Os frutos, porém, são mais avermelhados, mais azedos (ácidos), sua casca é mais dura, e por isto precisam ser colhidos bem maduros, para consumo in natura. Sua maior vantagem é o índice de vitamina c, superior ao da acerola e de outras frutas ricas nessa substância. O plantio comercial está começando este ano na região de origem, mas logo começa a ser feito no Sudeste-Sul, pois já existe um viveiro de mudas, e até uma associação de produtores em Assis, SP.
Devido ao nível de vitamina c (2.880 mg por 100 g de polpa, contra 1.790 mg/100 g de polpa na acerola), uma empresa japonesa procurou fornecedor na Amazônia, mas como a camu-camu (pronuncia-se câmu-câmu) é uma planta ainda não cultivada, seus frutos precisam ser coletados na floresta, junto dos algadiços, e não é possível conseguir as 500 toneladas por ano que o importador japonês deseja contratar. No estado natural, conseguem-se no máximo de 16 a 17 toneladas por ano. Os coletadores são caboclos daquela região, que saem ao mato à procura das fruteiras na época da produção (meses de fevereiro a março,na região amazônica - presume-se que no Sul-Sudeste, plantadas com irrigação, elas produzam o ano todo) e coletam principalmente em igapós (áreas alagadiças da mata).
InteresseNo Sul-Sudeste, o interesse começou em São Paulo, onde Conrado N. Tedesco, presidente da Associação Mundial dos Mercados Associativistas (AMMA) introduziu as primeiras mudas, de raízes nuas, adquiridas em Manaus. Tedesco conseguiu despertar interesse entre agricultores de algumas regiões. Em Assis, na antiga Alta Sorocabana, um grupo de pessoas criou a Associação dos Produtores de Camu-Camu, e com apoio da Floravale, uma entidade sem fins lucrativos que produz mudas de árvores para reflorestamento, passou as mudas de raízes nuas para saquinhos plásticos, onde elas já se desenvolveram bem e serão plantadas no campo quando chegar a primavera.
O engenheiro agrônomo Hélio Ribeiro Filho, presidente da Associação dos Produtores de Camu-Camu lembra que compraram, no ano passado, sete mil mudas de camu-camu, para distribuir entre os nove associados. A AMMA adquriu as mudas em Manaus e as levou para Assis.
Plantam-se de 600 a 700 mudas por hectare, e cada planta ocupará, quando adulta, uma área de 15 metros quadrados. As muda sairam de Manaus com aproximadamente um ano de idade. Nos saquinhos tiveram plásticos desenvolvimento rápido e já podem ser plantadas no campo, mas devido à escassez de chuva os associados esperam a situação hídrica melhorar na região. Enquanto isto, Hélio pretende plantar, nos próximos dias, uma pequena quantidade de mudas em sua chácara em Assis. Este plantio servirá de teste em condições adversas (inverno seco) de cultivo na região.
Fruteira, carregada, de camu-camu (Myrciaria dubia, também conhecida no Brasil por caçari e araçá d‘água
Inicialmente, as primeiras mudas sofreram estresse, devido a recomendações inadequadas dadas na origem à AMMA, que tomou a iniciativa de propagar a camu-camu no Sul-Sudeste. A AMMA honrou o compromisso e repôs as mudas, porém deixou com a associação de Assis as mudas prejudicadas pelo estresse. Estas mudas foram colocadas à venda esta semana, em Cambé, na 1ª Semana da Agricultura. É o primeiro passo no rumo da camu-camu ao Norte do Paraná, onde a planta amazônica poderá, caso se desenvolva bem a campo nesta região, ser mais uma alternativa de produção rural destinada aos mercados interno e externo, este interessado não apenas em frutas tropicais, mas principalmente em novas fontes de vitamina c.
IndustrializaçãoHélio Ribeiro Filho diz que a intenção do grupo de nove membros da Associação dos Produtores de Camu-Camu, de Assis, é industrializar a fruta, ‘‘para agregar valores’’.
O retorno da camu-camu não é demorado, se o plantio der certo: se cultivada com irrigação, a lavoura começa a produzir com dois anos de plantio; no campo a frutificação deve ocorrer aos três anos. ‘‘Estamas participando de uma experiência’’, comenta Hélio. Eles pretendem plantar em setembro.
Mesmo na Amazônia, só tem fruta coletada. Hélio acha o sabor da fruta ‘‘interessante’’ e lembra que as vitaminas estão principalmente na casca, daí ser preciso aproveitá-la na produção de sucos ou polpa. Porém, aqui, a irrigação é indispensável devido às características de planta de banhado, da camu-camu. Mas, irrigação não será o maior custo. O maior custo da lavoura será o manejo’’, calcula o agrônomo.

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