Ritual encerrado, era hora de saber um pouco mais da história do benzedor. De família católica e humilde, com 14 irmãos, o produtor rural Airton Sebastião de Lima, 49 anos, morador de Cambé, exercita o benzimento desde criança. Herdou o dom da avó paterna, quando ainda morava em Bartira, Distrito de Rolândia.
''Um dia, minha avó chegou, me deu um pedaço de pão e disse: 'você vai comer tudo e amanhã vai vir uma mulher aqui com uma criança e você vai ficar do meu lado, olhando eu benzer. Eu tinha 10 anos e não entendi. Mas com 12 anos eu já estava benzendo sozinho. Um dia, levaram lá em casa um bebê quase morto, com a língua enrolada, e depois que eu benzi ele melhorou. Daquele dia para cá entendi que não era brincadeira'', conta.
A história com as cobras começou quando Lima já era adulto e tocava uma lavoura de café ''de porcenteiro''. Alguém achou uma cobra na roça e ele não teve dúvida. ''Busquei o rosário, tirei o chapéu da cabeça e benzi'', lembra. Desde então, calcula já ter rezado em 200 propriedades no Paraná, no Mato Grosso e em Minas Gerais. ''Em Primavera do Leste (MT), foi muito marcante. Saíram entre 40 a 50 cobras, as pessoas correram e me deixaram ali sozinho'', diz.
O benzedor revela ter ''muito medo'' de cobra, mas fala que durante o ritual é diferente. ''Estou protegido, nunca me aconteceu nada'', revela, para deixar claro: ''Sou um benzedor do bem, devoto de São José e Nossa Senhora Aparecida''. (G.M.)

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